Geração Z resgata hábitos analógicos e transforma o vintage em símbolo de identidade
03/06/2026

Discos de vinil, câmeras antigas e roupas de brechó voltaram a atrair jovens da Geração Z - Foto: Belita Lira
Em meio à hiperconexão e ao excesso de estímulos, jovens encontram no passado uma forma de desacelerar, criar e se reconhecer
Em uma geração marcada pela velocidade, pela hiperconexão e pela lógica dos algoritmos, cresce o interesse de jovens por tudo aquilo que exige exatamente o contrário: tempo, presença e materialidade. O curioso é que grande parte dessas referências vem de um passado que eles nunca viveram.
Discos de vinil, câmeras digitais antigas, roupas de brechó, objetos analógicos e hobbies manuais voltaram a ocupar espaço. Não como resgate nostálgico tradicional, mas como escolha estética. Segundo a Vinyl Alliance, mais de 70% dos compradores de vinil hoje têm entre 18 e 24 anos. O dado ajuda a explicar uma mudança significativa: o disco deixou de ser apenas um formato musical e passou a funcionar como símbolo de gosto, de identidade e de curadoria pessoal.
Esse movimento também se reflete no mercado. Um relatório da Associação Americana da Indústria de Gravação mostrou que, em 2022, foram vendidos mais de 41 milhões de discos de vinil, superando os 33 milhões de CDs. Foi a primeira vez desde 1987 que o formato ultrapassou o digital físico mais recente, movimentando mais de R$ 6 milhões. Mais do que um retorno, trata-se de uma reinvenção do valor do objeto.
Para a psicóloga Luan Fernandes, esse comportamento revela uma resposta direta ao contexto atual.
“Nascidos entre 1997 e 2012, os jovens da Geração Z são os legítimos nativos digitais. Cresceram com o mundo na palma da mão, em uma realidade onde a conexão é constante e a informação, instantânea. No entanto, um movimento curioso e potente vem ganhando força: em vez de olharem apenas para o futuro tecnológico, esses jovens estão resgatando experiências, estéticas e hobbies de décadas que sequer viveram”, conta.
A explicação passa por um tipo específico de cansaço, não apenas físico, mas mental e sensorial.
“Vivemos em um tempo em que as 24 horas do dia parecem insuficientes. A cultura da produtividade excessiva e o imediatismo das redes sociais criaram um ambiente digital que pode ser, muitas vezes, assustador. Como resposta, a Geração Z busca a ‘pressa pela calma’”, afirma a especialista.
Essa busca se manifesta na prática. Diferente da experiência digital, onde tudo é rápido, previsível e mediado por sugestões automáticas, o consumo retrô exige participação ativa. Escolher um disco, posicionar a agulha, ouvir um álbum inteiro sem interrupções. Fotografar sem ver o resultado imediato. Criar algo com as próprias mãos.
“O ‘fazer’ manual devolve ao jovem o domínio sobre o processo”, explica a psicóloga.
Esse retorno ao processo aparece também no crescimento de atividades como tricô, marcenaria e fotografia analógica, práticas que exigem tempo, repetição e atenção.
Há ainda uma dimensão de controle envolvida. Em um ambiente digital onde o usuário é constantemente conduzido, o analógico surge como uma forma de retomada da autonomia.
“Existe uma sensação de perda de domínio próprio no mundo digital, onde somos conduzidos o tempo todo. Regredir para práticas analógicas é uma forma inconsciente de recuperar o controle sobre a maneira de pensar, agir e criar”, conta.
Mas talvez o aspecto mais interessante desse movimento seja emocional. A psicologia e a psicanálise apontam que o contato com o passado, mesmo que não vivido, pode funcionar como ferramenta de regulação emocional. Em um cenário de ansiedade constante, o retrô oferece previsibilidade.
Além disso, há uma construção de identidade em jogo. Em uma realidade onde tudo tende à padronização, especialmente nas redes sociais, o vintage permite diferenciação.
“Ao adotar estéticas de outras eras, os jovens expressam quem são fora da padronização algorítmica, encontrando um senso de pertencimento dentro de novos grupos que valorizam o ‘sentir’ sobre o ‘clicar’”, afirma a psicóloga.
Em Natal, esse movimento ganha forma concreta em espaços como a Discol, loja fundada em 1975 no centro histórico da cidade. O local, que começou como uma loja de discos, hoje funciona como um ponto cultural e de encontro para artistas e amantes da música.
Gabriela Almeida, filha do fundador Luiz Brás, acompanha essa transformação de perto.
“Eu sempre reflito um pouco sobre o impacto da pandemia nas mídias físicas, como as pessoas ficaram muito ‘trancadas’ em casa e obrigadas ao contato apenas por redes sociais e internet, acho que isso levou todo mundo a buscar alternativas mais ‘analógicas’ e palpáveis de lazer e afins”.
A pandemia, nesse sentido, aparece como ponto de virada. O excesso de digitalização intensificou o desejo por aquilo que é físico, tátil e concreto. O que antes era tendência passou a ser necessidade.
No fim, a relação da geração Z com o vintage não é exatamente sobre o passado. É sobre o presente. Sobre a tentativa de construir uma vida que não seja totalmente mediada por telas, respostas rápidas e consumo automático.
Como resume a psicóloga: “no fim, a Geração Z não está apenas consumindo o passado; ela está tentando reconstruir um presente que tenha mais textura, mais calma e, principalmente, mais verdade.”
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Brasil terá primeira caneta de semaglutida após fim da patente a partir de R$ 287
03/06/2026

Farmacêutica EMS iniciará em 15 de junho a venda do Ozivy, primeira caneta brasileira - Foto: Reprodução
Medicamento Ozivy, da EMS, começa a ser vendido em junho com preço inferior ao de produtos similares e produção nacional em larga escala
A primeira caneta de semaglutida produzida no Brasil após o encerramento da patente da molécula no país começará a ser comercializada ainda neste mês. Batizado de Ozivy, o medicamento desenvolvido pela farmacêutica EMS recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento de diabetes tipo 2 em adultos e chega ao mercado com a promessa de ampliar o acesso a uma terapia que, atualmente, custa cerca de R$ 1 mil por mês.
As vendas terão início em 15 de junho. O tratamento com as doses iniciais de 0,25 mg e 0,5 mg terá preço de R$ 452 por mês, enquanto a apresentação de 1 mg será vendida por R$ 497. A empresa, porém, anunciou condições diferenciadas para pacientes que aderirem ao Programa Vida + Leve, do EMS Saúde. Nessa modalidade, os três primeiros meses de tratamento custarão R$ 861 no total, o equivalente a R$ 287 por mês.
O lançamento ocorre poucos meses após o vencimento da patente da semaglutida no Brasil, em março deste ano. A substância é a mesma utilizada em medicamentos amplamente conhecidos no mercado, como o Ozempic, indicado para diabetes tipo 2, e o Wegovy, utilizado no tratamento da obesidade.
Segundo a EMS, o Ozivy será comercializado em embalagens contendo uma ou duas canetas. Na fase inicial de distribuição, mais de 500 mil unidades estarão disponíveis nas principais redes farmacêuticas do país. A empresa prevê uma expansão gradual da oferta para todo o território nacional.
Em nota, o vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, afirmou que a chegada do produto representa um passo para ampliar o acesso aos tratamentos baseados em semaglutida. Segundo ele, o objetivo é “ampliar o acesso da população a terapias modernas, produzidas com os mais elevados padrões de qualidade e segurança”.
A produção do medicamento ocorre em Hortolândia, no interior de São Paulo. De acordo com a farmacêutica, a unidade possui capacidade para fabricar até 40 milhões de canetas por ano. A estrutura integra a plataforma de peptídeos da empresa, utilizada também na fabricação dos medicamentos Olire e Lirux, ambos à base de liraglutida.
A EMS informou que os investimentos destinados à implantação dessa plataforma industrial ultrapassaram R$ 1,2 bilhão. A iniciativa faz parte da estratégia da companhia para ampliar a produção nacional de medicamentos voltados ao tratamento de doenças metabólicas.
A indicação aprovada pela Anvisa prevê o uso do Ozivy no tratamento de adultos com diabetes tipo 2 que não conseguem controlar adequadamente a doença apenas com dieta e prática de exercícios físicos. Assim como o Ozempic, o medicamento é administrado por meio de aplicação semanal.
Uma das diferenças entre os dois produtos está relacionada ao armazenamento. O Ozivy deve permanecer refrigerado entre 2°C e 8°C antes e depois do início do uso. Já o Ozempic exige refrigeração apenas antes da primeira aplicação, podendo ser mantido em temperatura ambiente de até 30°C por até seis semanas após aberto.
Além de ser a primeira caneta nacional de semaglutida lançada após o fim da patente da molécula, o Ozivy também se torna a primeira versão sintética da substância autorizada para venda no Brasil. Os produtos originais desenvolvidos pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk — Ozempic e Wegovy — possuem origem biológica.
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Operação mira esquema de corrupção em contratos em Recife
03/06/2026

Operação Check-in, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça 2 — Foto: Divulgação/PF
Operação Check-in cumpre oito mandados de busca e apura possíveis fraudes em licitações envolvendo contratos de terceirização de mão de obra firmados em 2020
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, na manhã desta terça-feira 2, a Operação Check-in para investigar um suposto esquema de corrupção, fraudes em licitações e desvios de recursos públicos envolvendo contratos firmados com a Prefeitura do Recife. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nas cidades do Recife, Cabo de Santo Agostinho e Jaboatão dos Guararapes.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações tiveram início neste ano após a apreensão de canhotos de cheques durante a Operação Firenze. O material indicaria o pagamento de vantagens indevidas a um agente público de alto escalão da administração municipal por parte de uma empresa contratada pela prefeitura. A identidade e o cargo do servidor não foram divulgados.
As apurações apontam que as irregularidades teriam ocorrido em contratos de terceirização de mão de obra celebrados em 2020. Segundo a PF, a empresa investigada recebeu R$ 25,8 milhões da Prefeitura do Recife naquele ano, dos quais cerca de R$ 17 milhões tiveram origem em recursos federais.
Os investigadores também destacam que a empresa já mantinha contratos com o município em anos anteriores, o que levanta a suspeita de que os prejuízos aos cofres públicos possam ser superiores aos valores inicialmente identificados.
Até o momento, não houve prisões. Os investigados poderão responder por crimes como corrupção ativa e passiva, organização criminosa, fraude em licitação ou contrato administrativo e lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal não informou quais materiais foram apreendidos durante o cumprimento dos mandados.
Em nota, a Prefeitura do Recife afirmou que não é alvo da operação e ressaltou que as investigações se referem a contratos firmados com uma empresa terceirizada em 2020. O município declarou ainda que permanece à disposição dos órgãos de controle e das autoridades para colaborar com o andamento das apurações.
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Comissão da Câmara visita Espaço Crescer e discute ampliação de atendimento a crianças neurodivergentes
03/06/2026

Vereadores visitaram o Espaço Crescer, instalado no CEI Leste, em Natal. - Foto: Elpídio Júnior
Unidade instalada no CEI Leste atende cerca de 500 crianças por mês e tem projeto de expansão para outras regiões de Natal
A Comissão de Saúde, Direito dos Animais, Previdência e Assistência Social da Câmara Municipal de Natal realizou, nesta segunda-feira 1º, uma visita técnica ao Centro de Especialidades Integradas do setor Leste II (CEI Leste), antigo Centro Clínico do Alecrim. O foco da visita foi o Espaço Crescer, serviço voltado ao atendimento de crianças neurodivergentes implantado na unidade em novembro de 2025.
Durante a inspeção, os vereadores conheceram o funcionamento do equipamento, ouviram demandas de servidores e usuários e discutiram propostas para ampliar a estrutura e os serviços oferecidos.
Segundo dados apresentados pela direção da unidade, o Espaço Crescer realiza cerca de 500 atendimentos mensais nas áreas de neuropsicologia, fonoaudiologia, nutrição e psicologia. O local também conta com especialistas na aplicação da metodologia ABA, utilizada no acompanhamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Uma das principais necessidades apontadas pela unidade é a criação de um espaço destinado à realização de terapias. De acordo com a diretora do CEI Leste, Érica Melo, a estrutura física necessária já existe, restando apenas a execução de uma reforma para adequação do ambiente.
Presidente da Comissão de Saúde, o vereador Luciano Nascimento (PSD) informou que o colegiado pretende destinar emendas parlamentares para viabilizar as melhorias na unidade.
“Nós vamos fazer um relatório no qual iremos destacar os pontos positivos, como o acolhimento às famílias, mas também os pontos negativos, como a ausência de profissionais que, embora pontual, prejudica o tratamento das crianças e adolescentes aqui atendidos”, afirmou.
O vereador Daniel Santiago (PP), também integrante da comissão, afirmou que o Espaço Crescer tem contribuído para reduzir a fila de espera por diagnóstico e atendimento especializado em Natal.
“São quase cinco mil crianças à espera de atendimento em toda Natal. O Espaço Crescer é um projeto piloto. A Comissão veio aqui para conhecer como é o dia a dia da unidade, conseguimos identificar algumas demandas por parte da empresa terceirizada, que presta esse serviço, e o importante é não deixar essas famílias voltarem para casa sem aquela avaliação. Nós vamos buscar melhorias e ampliar esse espaço, tanto aqui, de forma estrutural, como levar esse projeto para as outras regiões, como na Zona Norte”, explicou.
O parlamentar também ressaltou a importância da emissão de laudos para garantir suporte educacional às crianças neurodivergentes nas escolas da rede pública.
“Enquanto a família da criança neurodivergente não tem um laudo, a Secretaria de Educação não tem como disponibilizar um estagiário em sala. Mas, pela lei, a partir do momento que a criança tem um laudo e tem a necessidade, a Secretaria pode disponibilizar um estagiário. Essa demanda estava reprimida na Educação mas, agora, nos próximos dias vai estar sendo publicado no Diário Oficial o processo seletivo do Educador Social Voluntário. Serão mil educadores sociais, justamente para somar com os estagiários que já existem, para suprir a necessidade dessas crianças que estão saindo daqui com o laudo”, disse.
O vereador Cleiton da Policlínica (PSDB) avaliou que as visitas realizadas pela comissão auxiliam na identificação de demandas e no acompanhamento dos serviços prestados pelo município.
“Estou saindo muito feliz pelo que eu vi nessa unidade, mas também há uma luta para buscarmos melhorias, sobretudo para que as crianças façam suas terapias aqui”, afirmou.
Implantado em novembro de 2025, o Espaço Crescer é o primeiro equipamento municipal voltado ao atendimento especializado de crianças neurodivergentes em Natal. A expectativa dos parlamentares é ampliar a estrutura existente e expandir o modelo para outras regiões da capital.
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João Fonseca é eliminado nas quartas de Roland Garros após melhor campanha
03/06/2026

João Fonseca é eliminado nas quartas de Roland Garros após melhor campanha - Foto: Divulgação/ Brasileiro volta às quartas do torneio após 22 anos
O brasileiro João Fonseca foi eliminado nas quartas de final de Roland Garros nesta terça-feira 2, após ser derrotado pelo tcheco Jakub Mensik por 3 sets a 0, com parciais de 6/4, 6/3 e 7/6 (3), em 2h44min. A partida foi disputada na quadra Philippe-Chatrier, sob o teto fechado devido à chuva em Paris.
Número 30 do ranking mundial, Fonseca, de 19 anos, disputava pela primeira vez as quartas de final de um torneio de Grand Slam. Do outro lado, Mensik, de 20 anos, ocupa a 27ª posição na lista da ATP e avançou para enfrentar Alexander Zverev, terceiro colocado do ranking.
O jogo teve condições diferentes das habituais no torneio. Com o teto fechado, a quadra ficou mais pesada e a bola teve menor velocidade. O brasileiro cometeu erros ao longo da partida, enquanto o adversário manteve regularidade para garantir a vitória.
Mesmo com a eliminação, Fonseca alcançou a melhor campanha da carreira em um Grand Slam e recolocou o Brasil entre os oito melhores da chave masculina de simples em Roland Garros após 22 anos. O último a atingir essa fase havia sido Gustavo Kuerten, em 2 de junho de 2004. Entre as mulheres, Beatriz Haddad Maia foi semifinalista em 2023.
Para chegar às quartas, Fonseca venceu o francês Luka Pavlovic e o croata Dino Prizmic nas primeiras rodadas. Na sequência, superou o sérvio Novak Djokovic, que soma 24 títulos de Grand Slam, e derrotou o norueguês Casper Ruud nas oitavas de final.
Com os resultados obtidos em Paris, o brasileiro deve subir no ranking da ATP. A atualização em tempo real indica a 25ª posição, podendo haver mudanças conforme o andamento do torneio. Fonseca já tem assegurada a condição de melhor sul-americano da lista, à frente do argentino Francisco Cerúndolo.
O próximo compromisso do tenista será o ATP 500 de Halle, a partir de 15 de junho. Ainda no mesmo mês, ele disputará o ATP 250 de Eastbourne, antes de Wimbledon.
Este foi o segundo confronto entre Fonseca e Mensik. O brasileiro venceu o primeiro, no Next Gen ATP Finals de 2024. Os dois também se enfrentariam no ATP 500 da Basileia, em 2025, mas o tcheco desistiu antes da partida devido a uma lesão.
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Carro eletrificado muda venda, oficina e até o mercado de seminovos no RN
03/06/2026

Chegada dos eletrificados às oficinas exige ferramentas específicas, equipamentos de segurança, isolamento para sistemas de alta tensão e novos processos de diagnóstico - Foto: Reprodução
Brasil fechou o ano passado com quase 224 mil veículos leves eletrificados vendidos, recorde histórico e alta de 26% em relação ao ano anterior
O avanço dos carros híbridos, plug-in e elétricos no Rio Grande do Norte já deixou de ser apenas uma novidade de showroom. A nova fase da mobilidade eletrificada começa a mudar a forma como as concessionárias vendem, treinam equipes, preparam oficinas, fazem diagnóstico, estruturam o pós-venda e até avaliam veículos seminovos. O carro deixou de ser explicado apenas por motor, potência, design e condição comercial. Agora, a conversa envolve autonomia, bateria, recarga, software, atualização remota, garantia, custo por quilômetro rodado, infraestrutura e confiança.
O movimento acompanha uma transformação nacional. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, o Brasil fechou 2025 com 223.912 veículos leves eletrificados vendidos, recorde histórico e alta de 26% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o mercado total de veículos leves cresceu 2,6%, o que mostra que os eletrificados avançaram em ritmo muito superior ao conjunto do setor. Em abril de 2026, ainda conforme dados da entidade, os eletrificados chegaram a 38.516 emplacamentos no País, com forte peso dos modelos plug-in, incluindo elétricos puros e híbridos recarregáveis.
No RN, o avanço também já aparece em números locais. Levantamento com base em dados do Detran-RN apontou que a frota de veículos 100% elétricos no Estado saltou de 427 unidades em 2022 para 3.017 até junho de 2025, alta de 607%. Natal concentrava 52,5% desse total, sinal de que a capital funciona como principal polo de adoção da nova tecnologia. A infraestrutura também começou a crescer: o estado já superou 300 pontos de recarga, incluindo eletropostos instalados em shoppings, supermercados, ruas, centros comerciais e empreendimentos privados.
Mas a mudança mais relevante não está apenas no crescimento da frota. Está na cadeia que se forma em torno dela. Para as concessionárias, o consumidor potiguar passou a chegar mais informado, mais curioso e mais exigente. Ele quer saber se o carro chega a Pipa, Mossoró ou ao interior sem susto; se há recarga fora de casa; se é possível instalar wallbox em condomínio; quanto tempo dura a bateria; qual será o valor de revenda; quem fará a manutenção; se haverá peça disponível; e se a concessionária está preparada para atender o veículo depois da compra.
Na Geely Redenção, em Natal, o gerente Ítalo Rodrigo Andrade de Lima avalia que o crescimento dos eletrificados tem sido “impressionante” e segue uma curva acelerada. Segundo ele, a Redenção Geely emplacou, apenas no varejo, sem venda direta, 282 carros em abril, resultado tratado pela operação como recorde. Para Ítalo, o carro eletrificado já deixou de ser visto como artigo de nicho ou “segundo carro de luxo” e passou a ser considerado escolha principal por muitas famílias potiguares.
Ele atribui esse avanço à chegada de novas tecnologias de bateria, ao melhor custo-benefício e à percepção de economia no bolso. “O interesse é real, maduro e diário no showroom”, afirma. As principais dúvidas, segundo o gerente, concentram-se em autonomia, infraestrutura de recarga, instalação de carregador residencial, desvalorização e durabilidade da bateria. O cliente de Natal, diz ele, chega mais informado, mas ainda precisa vencer barreiras culturais antes de fechar negócio.
A BYD Carmais também identifica uma mudança clara de comportamento. O diretor regional Vanderson Oliveira afirma que o consumidor potiguar passou a enxergar os eletrificados não apenas como inovação, mas como solução real de mobilidade, economia e tecnologia. Segundo ele, nos últimos meses houve aceleração importante na procura por modelos híbridos e 100% elétricos, especialmente em Natal e nas principais cidades do estado. “Hoje existe um público muito mais informado, conectado às tendências globais e disposto a investir em veículos com maior eficiência energética, menor custo operacional e mais recursos tecnológicos”, diz.
A marca chinesa, que já ocupa posição de destaque no segmento no Brasil, vê o test-drive como um divisor de águas. Vanderson afirma que muitos consumidores mudam a percepção depois de conhecer o desempenho, o conforto, o silêncio na condução e a economia no uso diário. Para atender essa demanda, a BYD Carmais está construindo uma nova concessionária com estrutura maior no estado. A operação também projeta um portfólio mais amplo: segundo o executivo, a BYD deve trazer até o fim do ano mais sete modelos novos, entre híbridos e 100% elétricos.
Na GAC, representada pelo Grupo A. Cândido, o diretor Marcelo Vadalá trata o fenômeno como transformação de mercado, não mais como tendência. Ele lembra que os eletrificados cresceram muito acima do mercado convencional e afirma que Natal começa a entrar nesse movimento de forma consistente. Para Vadalá, o consumidor mudou a pergunta. Antes queria saber o que era um carro elétrico; agora quer entender qual modelo faz mais sentido para a própria rotina.
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Justiça condena aplicativo a indenizar consumidor ameaçado após cancelamento de pedido no RN
03/06/2026

Consumidor relatou ter sido ameaçado após cancelar um pedido de refeição - Foto: reprodução
Consumidor receberá R$ 5 mil por danos morais após cancelar pedido e relatar episódio que terminou com intervenção policial
Um aplicativo de entregas foi condenado pela Justiça a pagar R$ 5 mil por danos morais a um consumidor que afirmou ter sido ameaçado pelo responsável de um restaurante após cancelar um pedido em Mossoró, na região Oeste do Rio Grande do Norte.
A decisão foi proferida pelo 3º Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Mossoró. Segundo os autos, o consumidor havia solicitado uma refeição por meio da plataforma, mas pediu o cancelamento após receber o alimento em condições impróprias para consumo. O valor pago foi posteriormente estornado.
De acordo com o processo, após o cancelamento do pedido, o responsável pelo estabelecimento comercial foi até o local onde o cliente estava hospedado. O consumidor relatou que foi alvo de ameaças, gritos e buzinaços, situação que levou ao acionamento da polícia.
O autor da ação informou ser Pessoa com Deficiência (PcD), amputado bilateral, e alegou que o episódio provocou uma crise hipertensiva, exigindo atendimento médico de urgência em uma unidade de saúde.
Na ação judicial, o consumidor sustentou que houve falha na prestação do serviço por parte da plataforma de entregas, especialmente em razão do compartilhamento de seus dados com o restaurante. Além da indenização por danos morais, ele também pediu ressarcimento por supostos danos materiais.
Em sua defesa, a empresa argumentou que atua apenas como intermediadora entre clientes e estabelecimentos comerciais e, por isso, não poderia ser responsabilizada pelos atos praticados pelo restaurante. A plataforma também alegou que o problema teria sido causado exclusivamente por terceiros e que o estorno do pedido teria encerrado a questão.
Ao analisar o caso, a juíza Welma Maria Ferreira de Menezes rejeitou os argumentos da empresa. Na decisão, a magistrada entendeu que a plataforma integra a cadeia de consumo ao intermediar pagamentos, administrar dados dos usuários e estabelecer regras para a utilização do serviço.
O pedido de indenização por danos materiais foi negado por ausência de comprovação documental das despesas alegadas.
Por outro lado, a juíza reconheceu a ocorrência de dano moral. Na sentença, considerou que o consumidor, sozinho em uma cidade desconhecida, foi submetido a uma situação de ameaças, ofensas e intimidação, episódio que culminou em uma emergência médica.
Com a decisão, a plataforma foi condenada ao pagamento de R$ 5 mil por danos morais ao consumidor.
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CAOS NO WALFREDO: Centro de Queimados perde leitos; casos dobram e obra milionária segue parada
03/06/2026

Foto: Alex Régis
Enquanto os casos de queimaduras aumentam no RN, a reforma do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Walfredo Gurgel, na Zona Leste de Natal, segue sem conclusão, segundo informações da Tribuna do Norte.
Referência estadual no atendimento a grandes queimados, a unidade opera hoje com 12 leitos, abaixo da capacidade original de 20 vagas, após redução provocada pela obra inacabada.
O cenário preocupa às vésperas do São João, período marcado pelo aumento do risco de acidentes com fogo e explosivos. “Se acontecer um acidente com múltiplas vítimas, é um grande problema”, afirmou o coordenador do CTQ, Marco Almeida, à Tribuna.
Dados repassados pela Defensoria Pública do RN mostram avanço da demanda. O número de internações por queimaduras teria passado de cerca de 80 para 160 casos nos últimos seis meses.
Segundo o órgão, também houve aumento nos óbitos ligados a queimaduras: de um caso registrado em 2024 para entre seis e oito ocorrências nos primeiros meses de 2026.
A Defensoria aponta ainda problemas estruturais e operacionais na unidade, incluindo goteiras, leitos desativados, déficit de profissionais, falta de insumos e mudanças improvisadas em setores de atendimento.
Reforma tem apenas 1% concluída
A reforma do CTQ começou em agosto de 2024, com contrato de R$ 1,2 milhão. Conforme a direção do centro, porém, apenas cerca de 1% da obra foi executado até agora.
Em coletiva nesta semana, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, afirmou que a paralisação ocorreu após descumprimento contratual da empresa responsável pela obra.
Segundo ele, o Governo do Estado abriu processo de distrato e tenta viabilizar a convocação de outra empresa para assumir os serviços.
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Mulher de 37 anos finge ser adolescente e é presa um ano após adoção em SC
03/06/2026

Foto: Reprodução
Uma mulher de 37 anos foi presa, nesta terça-feira (2), por se passar por uma adolescente de 12 anos, em Joinville, Santa Catarina. A suspeita chegou a ser adotada por uma família, com quem viveu por mais de um ano.
Segundo a PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina), a mulher utilizava o nome falso de “Gabriele” e se passava por uma adolescente. A prisão em flagrante ocorreu na residência das vítimas, no distrito de Pirabeiraba, onde ela morava há cerca de 14 meses.
A infratora ganhou a confiança de toda a família e, para sustentar o disfarce e justificar sua aparência de adulta, ela alegava falsamente ser portadora de autismo e dizia que seus traços eram decorrentes da utilização de hormônios de forma forçada durante a infância.
Para reforçar o papel de criança, a mulher também apresentava comportamentos infantilizados, como o uso de mamadeiras, chupetas e um “cheirinho” para dormir.
Segundo as investigações, esse não foi o primeiro crime da mulher. Há registros de golpes idênticos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
A suspeita confessou o crime para as autoridades policiais durante o interrogatório formal. Depois da prisão em flagrante pelos crimes de estelionato e falsa identidade, a suspeita foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanecerá à disposição da Justiça.
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Irã suspende negociações com EUA e acusa Israel de violar cessar-fogo em Gaza e no Líbano
03/06/2026

Armamento apreendido durante incursão militar israelense no Líbano - Foto: IDF / Reprodução
Teerã interrompe conversas com Washington após intensificação de operações militares israelenses; governo americano afirma que contatos continuam
O governo do Irã anunciou a suspensão das negociações com os Estados Unidos para um acordo destinado a encerrar o conflito iniciado em fevereiro, alegando que a intensificação das ações militares de Israel no Líbano e na Faixa de Gaza viola os termos do cessar-fogo firmado entre Teerã e Washington em abril.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que a trégua deve ser aplicada a todas as frentes de conflito da região. Segundo ele, ataques no Líbano ou em Gaza representam descumprimento do acordo. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também acusou os Estados Unidos de não respeitarem os compromissos assumidos.
A decisão ocorre em meio ao agravamento da situação em Gaza, onde autoridades locais relatam centenas de mortes desde o anúncio do cessar-fogo em 2025. O governo de Israel ampliou operações militares no território e também intensificou ataques contra posições do Hezbollah no Líbano. O grupo libanês, aliado do Irã, continua trocando ataques com forças israelenses apesar da existência de uma trégua formal.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a suspensão das conversas e afirmou que os contatos com o Irã continuam. Em redes sociais, declarou ainda que conversou com autoridades israelenses e com representantes do Hezbollah para tentar conter a escalada militar, embora os detalhes dessas tratativas não tenham sido divulgados.
O conflito no Líbano tornou-se um dos principais pontos de tensão. Israel mantém operações militares no sul do país e defende a criação de uma zona de segurança próxima à fronteira. Em resposta, o Hezbollah continua utilizando foguetes, mísseis e drones contra alvos israelenses. Apesar de declarações favoráveis a um cessar-fogo, os dois lados indicaram que manterão suas operações militares.
Além de interromper as negociações, o Irã elevou o tom das ameaças. O comandante da Força Quds, Esmail Ghaani, afirmou que Teerã poderá ampliar a pressão sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, corredor estratégico por onde passa cerca de 12% do comércio marítimo mundial. A região já foi alvo de ataques dos houthis do Iêmen, também aliados iranianos.
Enquanto isso, análises recentes apontam que o Irã conseguiu restaurar parte significativa de sua infraestrutura militar subterrânea atingida por bombardeios americanos e israelenses. Especialistas avaliam que o país ainda mantém um grande arsenal de mísseis e capacidade de reação caso o conflito volte a se intensificar.
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Assembleia Legislativa promove ações de sustentabilidade no Parlamento
03/06/2026

Assembleia Legislativa do RN instalou um ecoponto permanente para coleta de lixo eletrônico, iniciativa que integra a programação do Junho Sustentável dentro de ações pelo meio ambiente - Foto: João Gilberto / ALRN
Programação inclui coleta de lixo eletrônico, palestras, feira orgânica e ações de apoio a crianças com câncer
A convergência entre o zelo ecológico e a responsabilidade humanitária pautou o início das atividades do “Junho Sustentável” na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Com a implementação de estratégias que aliam o descarte correto de materiais tecnológicos ao suporte a causas sociais, o Parlamento Potiguar reforçou seu papel institucional na promoção de um futuro mais equilibrado e solidário para o estado, transformando a gestão de resíduos em um gesto de cidadania ativa.
A campanha não se limita apenas à preservação da natureza, mas possui um viés social profundo. A principal inovação deste ano foi a instalação de um ecoponto permanente na sede do Legislativo, destinado exclusivamente à coleta de lixo eletrônico, cujos recursos gerados pela reciclagem serão integralmente revertidos para o tratamento de crianças com câncer.
Na ocasião, o diretor administrativo e financeiro da Casa Legislativa, Pedro Cascudo, destacou que a iniciativa busca sensibilizar servidores, parlamentares e a população potiguar sobre a urgência da pauta socioambiental. “A Assembleia tem promovido diversas ações nos últimos anos e esta é a primeira deste mês. Estamos instalando o coletor para lixo eletrônico, um resíduo que não pode ser destinado ao descarte comum, reforçando nosso compromisso com a causa”, afirmou o diretor.
A iniciativa é operacionalizada por meio do Projeto EcoAcolher/TecnoSustentável RN, que estabelece uma logística reversa eficiente para equipamentos em desuso. A ação permite que computadores, impressoras, celulares e outros componentes que antes seriam descartados de forma irregular recebam a destinação adequada, evitando a contaminação do solo e dos recursos hídricos por metais pesados, ao mesmo tempo em que gera esperança para famílias que enfrentam a luta contra o câncer.
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Bactéria em água Crystal: Anvisa mandou recolher mais de 300 mil garrafas
03/06/2026

Foto: Reprodução
A Anvisa publicou, nesta quarta-feira (3), a Resolução 2.247/2026, que determina o recolhimento voluntário de 374,4 mil garrafas de 500 ml de água mineral Crystal sem gás.
A decisão foi tomada após o Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) identificar a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras do produto.
Detalhes do lote afetado
O lote alvo da medida é o LZ1 VAL200127, fabricado em 20/01/2026 pela Mineração Bom Jesus Ltda., em Luziânia (GO). As unidades foram distribuídas no Distrito Federal, Goiás, Tocantins e interior de São Paulo.
Segundo a fabricante, aproximadamente 99,2% das garrafas já foram retiradas das prateleiras e não há registros de reclamações de consumidores até o momento.
Orientações ao consumidor
A recomendação oficial é que o produto do lote citado não seja consumido. Quem possuir unidades em casa deve aguardar as instruções da empresa para os procedimentos de devolução e reembolso.
A investigação aponta que a contaminação está restrita apenas a este lote específico.
Posicionamento da fabricante
A fabricante afirma que análises internas foram negativas, que o risco à saúde é baixo e que o recolhimento já está sendo finalizado.
A orientação oficial é que os consumidores não utilizem o produto e entrem em contato com o SAC da empresa para substituição ou reembolso.
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Petrobras ajusta preços do diesel em R$ 1,12
02/06/2026

Petrobras ajusta preços do diesel em R$ 1,12 - Foto: José Aldenir
Estatal aprovou adesão à subvenção adotada pelo governo federal
O Conselho de Administração da Petrobras, em reunião nesta segunda-feira 1º, aprovou a adesão da companhia à subvenção econômica aos produtores e importadores de óleo diesel de uso rodoviário no país, no valor de R$ 1,12 por litro comercializado, instituída pela Medida Provisória (MP) nº 1.363, de 30 de maio. O ajuste nos seus preços de venda de óleo diesel valem a partir desta terça-feira 2.
“Diante do caráter facultativo e do potencial benefício, entende-se que essa adesão é compatível com o interesse da companhia e preserva a flexibilidade da Petrobras na implementação da sua estratégia comercial”, explica a estatal.
A adesão à nova subvenção é complementar à adesão anteriormente autorizada pela Medida Provisória nº 1.358/2026, de 13 de maio.
A estatal disse que mantém sua estratégia comercial levando em consideração sua participação no mercado, a otimização dos seus ativos de refino e a rentabilidade de maneira sustentável, evitando o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio.
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Procrastinação está ligada a mecanismos de defesa do cérebro
02/06/2026

rocrastinação pode estar ligada ao medo e à ansiedade - Foto: Freepik
omportamento de adiar tarefas vai além da falta de disciplina e pode estar relacionado a mecanismos psicológicos de proteção
Em uma rotina marcada pelo excesso de informações, notificações constantes e múltiplas demandas, manter o foco em uma única tarefa se tornou um desafio para muitas pessoas. A dificuldade de iniciar atividades, cumprir compromissos ou colocar projetos em prática é frequentemente associada à falta de disciplina ou de motivação. No entanto, especialistas apontam que a procrastinação pode ter origens mais profundas e estar relacionada a mecanismos psicológicos ligados à percepção de ameaça, medo e ansiedade.
O comportamento de adiar tarefas, compromissos ou decisões importantes é conhecido como procrastinação. Embora muitas vezes seja interpretado como simples preguiça ou desorganização, estudos recentes e análises de especialistas indicam que o fenômeno envolve processos emocionais e cognitivos mais complexos.
Segundo Charlie Heriot-Maitland, psicólogo clínico e autor do livro Controlled Explosions in Mental Health (“Explosões Controladas em Saúde Mental”, em tradução livre), a procrastinação pode ser entendida como uma forma de autossabotagem que opera, em muitos casos, de maneira inconsciente.
“É um padrão que aplicamos a nós mesmos, muitas vezes de forma inconsciente, e que nos impede de seguir com nossas vidas, planos e objetivos.”
De acordo com o especialista, adiar tarefas nem sempre significa falta de interesse ou de comprometimento. Em muitos casos, a atitude surge como uma tentativa do cérebro de evitar situações percebidas como desconfortáveis ou ameaçadoras.
O medo de fracassar, a ansiedade diante de novos desafios e a pressão para alcançar resultados podem fazer com que determinadas atividades sejam interpretadas como fontes de sofrimento emocional. Como consequência, o indivíduo busca evitá-las, mesmo sabendo que isso poderá gerar problemas futuros.
Para Heriot-Maitland, a procrastinação pode estar relacionada a mecanismos ancestrais de proteção desenvolvidos ao longo da evolução humana. Mais do que uma simples falha de organização pessoal, o comportamento pode representar uma resposta automática do cérebro diante de ameaças percebidas.
O especialista explica que esse padrão tende a ser reforçado por experiências anteriores, traumas, medos e hábitos adquiridos ao longo da vida.
“Pode vir de mecanismos evolutivos de sobrevivência, reforçados por traumas, medo e padrões aprendidos.”
Essa interpretação ajuda a compreender por que muitas pessoas adiam justamente atividades consideradas importantes para seu crescimento pessoal ou profissional. Quanto maior a relevância da tarefa, maior também pode ser a ansiedade associada a ela.
Em alguns casos, o receio de não atingir as próprias expectativas ou de enfrentar julgamentos externos faz com que a pessoa evite iniciar a atividade, mesmo reconhecendo sua importância.
O contexto atual também contribui para o aumento da procrastinação. Smartphones, redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas digitais oferecem estímulos permanentes que competem pela atenção do usuário.
Diante de uma tarefa complexa ou desagradável, recorrer a distrações rápidas e acessíveis pode parecer uma alternativa mais confortável, ainda que temporária. Essa dinâmica acaba criando ciclos de adiamento que frequentemente geram culpa, frustração e aumento da ansiedade, fatores que, por sua vez, alimentam novas procrastinações.
Especialistas destacam que o primeiro passo para lidar com o problema é compreender suas causas. Identificar os motivos que levam ao adiamento de determinadas tarefas permite adotar estratégias mais eficazes para enfrentá-las.
Entre os fatores mais comuns estão o medo do fracasso, o perfeccionismo, a falta de interesse pela atividade ou a sensação de estar sobrecarregado.
Outra recomendação é evitar a autocrítica excessiva. Segundo especialistas, sentir culpa por procrastinar costuma aumentar os níveis de estresse e dificultar ainda mais a retomada das atividades.
Uma estratégia frequentemente indicada é dividir grandes tarefas em etapas menores e mais administráveis. Quando uma atividade parece menos intimidadora, torna-se mais fácil dar o primeiro passo.
A organização das prioridades também é considerada importante. Uma das técnicas sugeridas consiste em classificar as tarefas em quatro grupos: urgente e importante, importante mas não urgente, urgente mas não importante, e nem urgente nem importante.
Essa divisão ajuda a identificar aquilo que realmente merece atenção imediata e o que pode ser planejado, delegado ou até eliminado.
Criar um cronograma realista também está entre as recomendações dos especialistas. A ideia é evitar agendas excessivamente carregadas, que acabam gerando frustração e sensação constante de atraso.
Reduzir distrações é outro ponto considerado fundamental. Limitar notificações, restringir o uso de redes sociais durante períodos de trabalho e evitar interrupções desnecessárias podem contribuir para melhorar a concentração. Algumas pessoas recorrem a aplicativos que bloqueiam temporariamente determinados sites ou aplicativos, facilitando o foco em tarefas específicas.
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Estudo associa insônia a maior risco de câncer antes dos 50 anos
02/06/2026

Insônia primária é caracterizada pela dificuldade persistente para dormir sem relação com outras doenças ou uso de medicamentos - Foto: Freepik
Pesquisa analisou mais de 400 mil adultos e encontrou associação entre distúrbio do sono e maior incidência de tumores de mama, útero, ovário e intestino
Um estudo apresentado na última semana durante o Congresso Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês), considerado o principal evento mundial da área, identificou uma associação entre o diagnóstico de insônia primária e um risco mais elevado de desenvolvimento de alguns tipos de câncer antes dos 50 anos. A pesquisa foi conduzida por cientistas do Centro de Câncer MD Anderson, nos Estados Unidos, e utilizou dados de mundo real extraídos de um dos maiores bancos de informações médicas.
Os resultados chamaram a atenção da comunidade científica por apontarem uma possível relação entre alterações do sono e o aumento da incidência de tumores em adultos mais jovens, faixa etária que já vem registrando crescimento expressivo nos diagnósticos oncológicos nas últimas décadas. Para chegar às conclusões, os pesquisadores recorreram ao TriNetX, plataforma que reúne informações de prontuários eletrônicos provenientes de mais de 70 organizações de saúde norte-americanas. Foram avaliados dados de 413.116 adultos com idade entre 18 e 50 anos que receberam diagnóstico de insônia primária entre 25 de janeiro de 2021 e 25 de janeiro de 2026.
A insônia primária é caracterizada pela dificuldade persistente para dormir sem que o problema esteja relacionado a fatores externos ou a outras condições médicas, como uso de medicamentos, transtornos psiquiátricos ou doenças associadas. Os pesquisadores acompanharam os registros para identificar casos de câncer diagnosticados entre um e cinco anos após o relato da insônia.
Os resultados foram comparados aos de um grupo muito maior, formado por 18.437.709 pessoas da mesma faixa etária que não apresentavam histórico de problemas relacionados ao sono. Ao analisar os dados acumulados ao longo de cinco anos, os cientistas identificaram diferenças relevantes entre os dois grupos. Entre os pacientes diagnosticados com insônia, a probabilidade de desenvolver câncer de mama de início precoce foi mais de três vezes superior à observada entre aqueles que não tinham distúrbios do sono. O estudo também encontrou risco quase duas vezes maior para câncer de útero e câncer colorretal de início precoce.
Já em relação ao câncer de ovário, os pesquisadores verificaram um aumento aproximado de 50% no risco quando comparado ao grupo sem insônia. No resumo científico apresentado durante o congresso, os autores destacam que a associação foi observada principalmente em tumores hormonais de início precoce, mais frequentes em pacientes do sexo feminino.
Embora o estudo não estabeleça uma relação direta de causa e efeito, os resultados sugerem que alterações crônicas do sono podem representar um elemento relevante na avaliação do risco individual de câncer. Em comunicado divulgado pelos pesquisadores, os autores afirmam que os achados “sugerem que a perturbação do sono pode representar um fator de risco clinicamente relevante e potencialmente modificável na estratificação do risco de câncer de início precoce”.
Os resultados ganham relevância em um contexto de aumento global dos diagnósticos de câncer em pessoas mais jovens. Um estudo publicado anteriormente na revista científica BMJ Oncology apontou que os casos de câncer em indivíduos com menos de 50 anos cresceram 79% entre 1990 e 2019.
A análise identificou uma expansão consistente da incidência da doença em diferentes regiões do mundo e em diversos tipos de tumores. Com base nas tendências observadas nas últimas décadas, os autores estimam que, até 2030, o número de novos casos de câncer em adultos jovens poderá crescer 31%. As mortes relacionadas à doença nessa faixa etária também tendem a aumentar, com projeção de alta de 21%. Segundo os pesquisadores, pessoas na faixa dos 40 anos devem concentrar a maior parte desse crescimento.
Embora fatores genéticos continuem desempenhando papel importante no surgimento de cânceres em idades mais precoces, especialistas ressaltam que aspectos relacionados ao estilo de vida também influenciam significativamente o desenvolvimento da doença. Os autores do estudo destacam que hábitos alimentares inadequados figuram entre os principais fatores associados ao aumento do risco oncológico.
Dietas ricas em carne vermelha, excesso de sal e baixo consumo de frutas, vegetais e produtos lácteos estão entre os comportamentos apontados como potencialmente prejudiciais. Além da alimentação, os pesquisadores lembram que outros fatores já amplamente reconhecidos pela literatura científica continuam associados a uma maior probabilidade de desenvolvimento de diversos tipos de câncer. Entre eles estão: consumo de álcool; tabagismo; sedentarismo; obesidade; excesso de açúcar no sangue; e distúrbios metabólicos. Nesse contexto, a insônia surge como mais um possível elemento a ser considerado na avaliação dos riscos relacionados à saúde.
Apesar dos resultados expressivos, os próprios pesquisadores ressaltam que novas investigações serão necessárias para compreender de forma mais detalhada os mecanismos biológicos que podem explicar a relação entre o sono e o desenvolvimento do câncer. Uma das hipóteses estudadas pela comunidade científica envolve o impacto da privação crônica de sono sobre processos hormonais, inflamatórios e imunológicos do organismo.
Alterações nesses sistemas podem influenciar a capacidade do corpo de reparar danos celulares e controlar o surgimento de células anormais. Os autores também defendem estudos adicionais para confirmar os achados em diferentes populações e identificar se intervenções voltadas à melhoria da qualidade do sono podem contribuir para reduzir o risco de câncer em adultos jovens. Enquanto novas evidências são produzidas, os resultados apresentados na ASCO reforçam a importância de encarar os distúrbios do sono não apenas como um problema de qualidade de vida, mas também como um aspecto potencialmente relevante para a prevenção de doenças de longo prazo.
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Novo remédio dobra sobrevida em câncer de pâncreas
02/06/2026

Novo remédio dobra sobrevida em câncer de pâncreas - Foto: Freepik
Daraxonrasib reduziu em 60% o risco de morte e apresentou menor taxa de efeitos colaterais em comparação à quimioterapia convencional
Um novo medicamento experimental para câncer de pâncreas metastático apresentou resultados que levaram médicos e pesquisadores a aplaudirem de pé durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizada em Chicago. O estudo RASolute 302 avaliou o daraxonrasib, comprimido desenvolvido pela farmacêutica Revolution Medicines, em pacientes que já não respondiam à quimioterapia convencional.
O ensaio clínico de fase 3, considerado o padrão mais rigoroso da pesquisa médica, envolveu 500 pacientes divididos aleatoriamente entre tratamento com o novo medicamento e quimioterapia. Entre aqueles com a mutação RAS G12, a mais comum no câncer de pâncreas, a sobrevida mediana foi de 13,2 meses com o daraxonrasib, contra 6,6 meses no grupo da quimioterapia. O risco de morte caiu 60%, enquanto o tempo até a progressão da doença aumentou de 3,5 para 7,3 meses. Além disso, 31% dos pacientes tratados apresentaram redução mensurável do tumor, ante 11,2% no tratamento convencional.
Outro dado que chamou atenção foi a baixa taxa de interrupção do tratamento por efeitos colaterais: apenas 1,2% dos pacientes que utilizaram o medicamento precisaram suspender a terapia, contra 11,2% no grupo da quimioterapia.
Os resultados foram publicados no Journal of Clinical Oncology e levaram os pesquisadores a concluir que o daraxonrasib deve se tornar o novo padrão de tratamento para pacientes com câncer de pâncreas metastático em segunda linha.
Para o oncologista Stephen Stefani, da Americas Health Foundation, que acompanhou a apresentação em Chicago, os resultados representam um avanço raro para uma das doenças mais letais da oncologia.
“Raramente celebramos um medicamento com esse perfil: baixa toxicidade, impacto real em sobrevida e um mecanismo inédito para essa doença”, afirmou.
Segundo ele, o estudo mostra que a medicina está avançando em uma área onde, até agora, havia poucas alternativas eficazes para os pacientes.
O próximo passo será a análise regulatória pela FDA, agência de medicamentos dos Estados Unidos. No Brasil, uma eventual chegada da terapia ainda dependerá da aprovação da Anvisa e de avaliações sobre cobertura pelos planos de saúde e incorporação ao sistema público.
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Brasil registrou 150 mil agressões contra população de rua em 10 anos
02/06/2026

População em situação de rua no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Pesquisa levantou dados de 2014 a 2023, mas alerta para subnotificação
Em abril deste ano, um homem em situação de rua foi atacado violentamente por estudantes universitários em Belém (PA). Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram os estudantes se aproximando da vítima, que caminha de costas, para aplicar-lhe descargas elétricas. O agredido era um homem negro, que vive nas ruas há pelo menos seis anos.Brasil registrou 150 mil agressões contra população de rua em 10 anos - Agora RNBrasil registrou 150 mil agressões contra população de rua em 10 anos - Agora RN
Com repercussão nacional, o caso é apenas um dos milhares de episódios de violência sofridos por pessoas que vivem nas ruas de todo o Brasil. Entre os anos de 2014 e 2023, 150 mil episódios de violência contra a população em situação de rua foram registrados oficialmente. Esse número, no entanto, deve ser muito maior, porque muitos desses casos sequer são notificados ou chegam às autoridades.
ulo, Robson César Correia de Mendonça, a violência é uma realidade das ruas e é muito maior do que indicam os números oficiais. Ele destacou o papel de agentes do Estado nesse cenário.
“A cada dia, três pessoas em situação de rua são agredidas aqui em São Paulo. Eles são agredidos diariamente, seja nas ações da zeladoria ou sendo expulsos dos locais que escolhem para ficar”, disse.
Para Mendonça, essa violência ocorre principalmente porque o “Poder Público não quer cumprir as garantias de direitos desta população”.
“É preciso fiscalizar e fazer cumprir as leis de garantia de direitos da população, punindo com rigor quem descumpre o que as leis determinam”, reforçou.
Segundo Mendonça, entre os tipos de violência enfrentados pela população em situação de rua estão a retirada de seus pertences e materiais de trabalho e a expulsão do espaço público por meio da utilização de jatos de água. “Eles também são expulsos de bares e de prédios públicos, [locais] que dizem ser do povo, como a Câmara Municipal. Tudo isso é uma agressão ao ser humano”, disse ele.
Negros e jovens
O estudo foi desenvolvido com base no cruzamento de informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Sistema Único de Saúde (SUS), com denúncias registradas pelo Disque 100 entre os anos de 2014 e 2023.
Os dados apontam que as principais vítimas dessas violências são homens jovens e negros. Pretos e pardos respondem por 78% dessas notificações, e jovens entre 15 e 49 anos concentram 82% do total de ataques. Embora a maior parte das vítimas seja de homens, a letalidade das agressões é maior quando são direcionadas a mulheres ou pessoas trans.
O coordenador do estudo avalia que esse perfil reproduz e aprofunda violências estruturais, como o racismo, e desigualdades históricas já presentes na sociedade brasileira. Dias aponta que a pesquisa também demonstra que fatores como deficiência, transtornos mentais, orientação sexual e identidade de gênero ampliam ainda mais a vulnerabilização dessas pessoas, especialmente em relação às violências sexual e institucional e às diversas formas de discriminação.
“A violência atinge de forma desproporcional jovens negros que vivem em espaços públicos, refletindo a combinação entre racismo estrutural, pobreza e exclusão social. Por outro lado, mulheres e pessoas trans em situação de rua apresentam risco significativamente maior de sofrer agressões com consequências graves ou fatais”, afirmou.
Para o presidente do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, a violência contra a população em situação de rua pode ser explicada por uma visão discriminatória e preconceituosa da sociedade.
“Ser pobre, negro e favelado no Brasil é ser visto como criminoso”, disse Mendonça, destacando que a realidade pode ser bem diferente.
Tipos de violência
Os dados apresentados pelo estudo mostram que a população em situação de rua está submetida a múltiplas formas de violência. O ataque físico é a forma mais recorrente, respondendo por 65% dos casos notificados. Em seguida, destacam-se a violência psicológica (42%), a negligência e o abandono (18%), a violência sexual (15%) e a violência autoprovocada (10%).
“Nesses registros, a negligência e o abandono representam 45% das denúncias, incluindo situações de omissão de socorro, ausência de acolhimento e negação de direitos básicos. Já a violência psicológica e institucional responde por cerca de 30% dos casos, envolvendo ameaças, humilhações, constrangimentos e recusas de atendimento”, relatou Dias.
“Cerca de 70% dos casos registrados ocorreram em vias públicas, evidenciando que o espaço urbano se tornou um ambiente de elevado risco para a integridade física e emocional da população em situação de rua”.
Embora as ruas sejam o espaço mais comum, o estudo demonstrou que a população em situação de rua também pode enfrentar violências em espaços que deveriam garantir sua proteção, como instituições de acolhimento e abrigos. “Esses casos evidenciam falhas graves nos mecanismos de prevenção, monitoramento e responsabilização institucional”, reforçou Dias.
Perfil do agressor
Na maior parte dos casos, as violências são praticadas por pessoas desconhecidas das vítimas. Para o coordenador do estudo, isso evidencia a presença de práticas associadas à aporofobia, termo cunhado pela filósofa espanhola Adela Cortina para descrever a aversão, rejeição ou hostilidade direcionada às pessoas pobres.
“Diferentemente do padrão observado na população em geral, em que grande parte das agressões ocorre no ambiente familiar ou doméstico, a violência contra pessoas em situação de rua é predominantemente praticada por agentes externos”, destacou Dias, que lembra que também há casos em que essa violência é cometida por agentes do Estado, principalmente durante ações de zeladoria urbana ou de remoções.
Esse agressor também pode ser um amigo ou conhecido da vítima, especialmente em casos que envolvem questões de sobrevivência no espaço público, ou um parceiro íntimo.
“Embora representem uma parcela menor dos casos totais, parceiros íntimos continuam sendo responsáveis por episódios de extrema gravidade, especialmente envolvendo mulheres em situação de rua”, pontuou Dias.
Violência em alta
O estudo indicou que a violência contra a população em situação de rua não ocorre de forma isolada ou circunstancial. Segundo o pesquisador, ela é estrutural e resulta da fragilidade das políticas públicas de proteção social, da precariedade das condições de moradia e da forma como os espaços urbanos são organizados e geridos. Além disso, a recorrência vem crescendo nos últimos anos.
“Os dados indicam um crescimento contínuo e preocupante das violências ao longo da última década. Segundo a pesquisa, as notificações vêm aumentando desde 2013, impulsionadas por crises econômicas, agravamento das desigualdades sociais, insuficiência das políticas públicas estruturantes, como moradia, trabalho e educação, e fragilização das redes de proteção social”.
“As denúncias registradas no Disque 100 passaram de aproximadamente 12,5 mil, em 2020, para 45,8 mil, em 2023, demonstrando uma expansão expressiva do problema”, disse o pesquisador.
Em alguns estados brasileiros, como São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro, os indicadores de violência apontam para uma “aceleração crítica”, com aumentos que variam entre 127% e 206%.
Os dados apontam ainda para uma interiorização dessa violência, especialmente em Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, onde municípios de médio porte vêm registrando crescimento acelerado dos casos.
“Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a realidade é marcada por elevados níveis de subnotificação e fragilidade dos sistemas de registro. Ainda assim, alguns municípios apresentam crescimento expressivo dos indicadores, sinalizando a expansão do problema para territórios historicamente menos monitorados”, ressaltou o pesquisador.
Resposta integrada
Segundo Dias, este cenário aponta que a violência contra a população em situação de rua não será resolvida apenas como uma questão de segurança pública, com ações policiais ou repressivas. Entre as principais recomendações do estudo estão:
a criação de sistemas de monitoramento preditivo capazes de identificar territórios de risco antes da consolidação das violências;
a descentralização de investimentos para municípios do interior, onde a expansão do fenômeno ocorre de forma acelerada;
a implementação urgente de políticas públicas estruturantes, como moradia, trabalho e educação;
e o fortalecimento da articulação entre as políticas de saúde, assistência social, justiça e direitos humanos.
Além disso, destacou o coordenador do estudo, também é importante substituir as tradicionais abordagens centradas na criminalização da pobreza por estratégias estruturadas de acolhimento, proteção social, acesso à moradia e garantia de direitos.
“Somente por meio de políticas públicas integradas e sustentáveis será possível interromper o ciclo de exclusão e violência que afeta milhares de pessoas em situação de rua em todo o país”.
Programa Cidadania PopRua
Procurado pela Agência Brasil, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) disse acompanhar os casos de violência contra a população em situação de rua por meio do Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH) e da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.
“Segundo dados do Sinan reunidos pelo ObservaDH, foram registrados 6.381 casos de violência contra pessoas em situação de rua em 2024, alta de 3,5% em relação a 2023. Entre 2015 e 2024, o sistema contabilizou 52.906 notificações de violência contra essa população”, informou o ministério.
Para enfrentar esse cenário, a pasta diz ter lançado, em março deste ano, o programa Cidadania PopRua, que reúne serviços de acolhimento, atendimento psicossocial, orientação e encaminhamento para a rede de proteção.
“A iniciativa também atua no enfrentamento das violências de gênero e institucional, além de promover ações de reinserção escolar, qualificação profissional e acesso a políticas públicas”, escreveu o ministério.
Por meio de nota, o ministério reforçou “que a proteção e a garantia dos direitos da população em situação de rua são prioridades da pasta e destaca que qualquer forma de violência ou violação de direitos contra esse público deve ser combatida e denunciada”.
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Senado define próximos passos da PEC da 6×1
02/06/2026

Foto: Pedro França/Agência Senado
Proposta prevê redução gradual da carga semanal de 44 para 40 horas e aguarda início da tramitação na Comissão de Constituição e Justiça
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve reunir líderes partidários nos próximos dias para definir o calendário de tramitação da PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de trabalho. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda despacho para começar a ser analisada pelos senadores, inicialmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A expectativa é que a discussão avance ainda neste mês, embora o Congresso enfrente uma semana esvaziada por conta do feriado de Corpus Christi e de compromissos dos parlamentares em seus estados. Nos bastidores, a avaliação é que o texto dificilmente será barrado devido ao forte apoio popular à medida.
A PEC prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais em um período de 14 meses após a promulgação. O texto também estabelece, em média, duas folgas por semana para os trabalhadores, com escalas que poderão ser ajustadas por negociação entre empresas e sindicatos.
A proposta mantém direitos já previstos na legislação, como o pagamento em dobro para trabalho em domingos e feriados. Também preserva as regras atuais para horas extras, embora permita que detalhes da transição sejam definidos por acordos coletivos.
Outro ponto do texto trata dos contratos terceirizados do setor público. União, estados e municípios terão até 12 meses para renegociar contratos de prestação de serviços que possam ser impactados pela redução da jornada.
Paralelamente, a oposição tenta impulsionar uma proposta alternativa, que prevê maior flexibilização da jornada de trabalho. Alcolumbre também autorizou a realização de uma sessão de debates para discutir os impactos econômicos da mudança antes da votação definitiva da matéria.
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Receita retém 2,2 milhões de declarações do Imposto de Renda 2026 na malha fina
02/06/2026

Contribuintes que tiveram declaração retida devem consultar o e-CAC - Foto: Bruno Peres / Agência Brasil
Número representa cerca de 5% das declarações entregues; Receita atribui parte das inconsistências à substituição da Dirf por novos sistemas de informaçãoA Receita Federal informou que cerca de 2,2 milhões de declarações do Imposto de Renda de 2026, referentes ao ano-base 2025, ficaram retidas na malha fina. O número corresponde a aproximadamente 5% das 44,39 milhões de declarações entregues dentro do prazo, encerrado em 29 de maio.
Segundo o supervisor nacional do Imposto de Renda, José Carlos da Fonseca, o percentual ficou em linha com o registrado nos últimos anos, embora o início do período de entrega tenha apresentado um volume maior de inconsistências. “No final de março, quase 11% das declarações estavam retidas em malha, quando o normal era entre 8% e 9%”, afirmou. De acordo com ele, o índice caiu ao longo dos meses após correções realizadas pelas empresas.
A principal mudança neste ano foi o fim da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf), utilizada por décadas para informar rendimentos pagos aos trabalhadores. Com a extinção do documento, a Receita passou a utilizar dados do eSocial e da EFD-Reinf, o que gerou erros de classificação em parte das informações enviadas pelas empresas.
“Isso acabou fazendo com que muitas declarações ficassem em malha e que a declaração pré-preenchida apresentasse informações divergentes. Um bom número de empresas precisou retificar os dados enviados”, explicou Fonseca.
A Receita orienta os contribuintes que tiveram a declaração retida a consultar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC), utilizando uma conta Gov.br nos níveis prata ou ouro. No sistema, é possível verificar qual foi a divergência identificada pelo Fisco e quais providências devem ser adotadas para
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Seleção Brasileira chega aos Estados Unidos para fase final de preparação da Copa do Mundo
02/06/2026

Para reduzir efeitos da viagem, CBF investiu em aeronave com 96 assentos de primeira classe para transportar delegação - Foto: Nelson Terme / CBF
Delegação desembarcou em Nova Jersey após voo de 10 horas e fará primeiro treino em solo americano nesta terça-feira 2
A Seleção Brasileira chegou aos Estados Unidos na manhã desta terça-feira 2 para a etapa final de preparação para a Copa do Mundo. Após a goleada por 6 a 2 sobre o Panamá, no último amistoso realizado em solo brasileiro, a delegação desembarcou em Nova Jersey, após um voo de 10 horas partindo do Rio de Janeiro, e já tem o primeiro treinamento programado para o fim da tarde.
A chegada ocorreu às 8h45 (horário de Brasília). O técnico Carlo Ancelotti foi um dos primeiros a desembarcar e falou sobre o sentimento de chegar aos Estados Unidos como treinador do Brasil.
“Contente, feliz, motivado e animado. Tentarei fazer o melhor”, disse o treinador à imprensa logo após deixar o avião.
Ele acrescentou:
“Essa Copa do Mundo não tem um favorito. Equipes muito fortes. Brasil vai competir com todas as outras equipes.”
Em seguida, a comitiva seguiu para o hotel que servirá de base durante a primeira fase do Mundial, no bairro de Basking Ridge.
Para reduzir os efeitos da viagem entre o Rio de Janeiro e os Estados Unidos, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) investiu em uma aeronave com 96 assentos de primeira classe para transportar a delegação.
A aeronave responsável por levar a delegação foi o Boeing 767-300ER, de matrícula ZS-NEX, da companhia sul-africana Aeronexus. No entanto, apesar de pertencer à empresa estrangeira, o avião partiu com adesivagem da Azul, que atua como parceira da CBF nessa operação.
Pela primeira vez desde a convocação, o técnico Carlo Ancelotti terá à disposição os 26 jogadores chamados para a disputa da Copa. Marquinhos, Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli, que não participaram dos treinamentos na Granja Comary nem do amistoso contra o Panamá, se apresentaram à equipe na noite de segunda-feira.
Antes de se deslocarem para o Aeroporto Internacional Tom Jobim, jogadores e comissão técnica participaram de uma programação especial de despedida na sede da CBF, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O grupo se despediu dos colaboradores da entidade e participou de uma série de ativações preparadas para marcar o início da jornada rumo ao Mundial.
Entre as atividades, esteve uma visita ao Museu da Seleção Brasileira, celeiro de conquistas e artefatos históricos da Amarelinha, além de um corredor de recepção formado pelos colaboradores da CBF.
O primeiro treino em solo americano está marcado para as 17h30 (de Brasília), no Columbia Park Training Center, centro de treinamento do New York Red Bulls, equipe da Major League Soccer (MLS). Recentemente reformado, o local será a base da Seleção durante a competição. A atividade não será aberta à imprensa.
Antes da estreia no Mundial, o Brasil ainda disputará um último amistoso preparatório. No próximo sábado 6, a equipe enfrenta o Egito, às 19h (de Brasília), em Cleveland.
A caminhada brasileira em busca do hexacampeonato começará no dia 13 de junho, contra o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Integrante do Grupo C, o Brasil enfrentará ainda o Haiti, em 19 de junho, na Filadélfia, e a Escócia, em 24 de junho, em Miami.
Jogos do Brasil na fase de grupos
13 de junho: Brasil x Marrocos, às 19h, no MetLife Stadium, em Nova Jersey;
19 de junho: Brasil x Haiti, às 22h, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia;
24 de junho: Escócia x Brasil, às 19h, no Hard Rock Stadium, em Miami.
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