Relatório revela que criança submetida à eutanásia na Holanda tinha quase 2 anos e epilepsia sem controle
01/10/2026

Foto: Magnific
Relatório divulgado nesta semana apresentou detalhes do caso e concluiu que o médico responsável não deve ser processado - Criança nasceu com 26 semanas, tinha lesões cerebrais irreversíveis e epilepsia sem controle; análise concluiu que o médico agiu corretamente.
A criança submetida ao primeiro procedimento de eutanásia na faixa de 1 a 12 anos na Holanda tinha quase dois anos, lesões cerebrais irreversíveis e epilepsia que não respondia aos medicamentos. Os detalhes foram divulgados nesta semana em um relatório de análise do caso pelo Ministério Público holandês, que concluiu que o médico responsável agiu corretamente e não deve ser processado.
Quando o caso veio a público, em junho, o governo informou apenas que a criança tinha entre 1 e 12 anos. A idade exata, as condições de saúde e a região onde a família vivia não haviam sido divulgadas. O relatório agora descreve um quadro que exigia assistência durante 24 horas por dia e internações constantes.
A criança não andava, não falava e provavelmente não enxergava. Aos quase dois anos, seu desenvolvimento correspondia ao de um bebê de seis semanas, com comunicação mínima. Segundo os médicos, ela dependeria de outras pessoas para todas as atividades do dia a dia pelo resto da vida.
No fim de 2025, os pais pediram à equipe médica a realização da eutanásia por entenderem que a criança passava por intenso sofrimento. Como ela não tinha meios de expressar o que sentia, o diagnóstico, o prognóstico e as possibilidades de tratamento foram discutidos com a família ao longo do acompanhamento.
O caso foi a primeira notificação desde que a Holanda passou a permitir, em 2024, a interrupção da vida de crianças entre 1 e 12 anos nas condições previstas pela regulamentação. Antes, a possibilidade abrangia recém-nascidos e adolescentes a partir dos 12 anos.
Para a faixa de 1 a 12 anos, a regra exige que o médico conclua, com base no conhecimento médico vigente, que encerrar a vida é a única solução razoável para aliviar um sofrimento insuportável e sem perspectiva de melhora.
A criança nasceu com 26 semanas de gestação durante uma viagem de férias da família ao exterior. Na UTI neonatal, apresentou várias infecções graves que se espalharam pelo organismo. Exames realizados posteriormente, já na Holanda, identificaram lesões extensas no cérebro decorrentes dessas complicações, com comprometimento dos movimentos, da visão e do desenvolvimento.
As lesões também levaram ao desenvolvimento de epilepsia grave, sem controle apesar do uso de medicamentos. As crises prejudicavam o sono e faziam com que a criança passasse muitas noites quase sem dormir. Também provocavam engasgos e dificuldades para engolir, tornando a alimentação cada vez mais difícil.
Além disso, ela não conseguia tossir com força suficiente para eliminar o muco dos pulmões, o que causava falta de ar e aumentava a exposição a infecções respiratórias. Outras complicações do quadro exigiam internações frequentes e cuidados contínuos.
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