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RN tem a segunda maior taxa de obesidade do país, e as canetas ganham espaço no tratamento

24/09/2026


Aplicação de caneta emagrecedora, em imagem ilustrativa: os medicamentos agem sobre fome, saciedade e controle da ingestão de alimento — Pexels

Índice de 42% da população põe o Estado atrás apenas do Rio Grande do Sul; o excesso de peso eleva o risco de hipertensão, infarto e AVC

Quatro em cada dez potiguares têm algum grau de obesidade. A obesidade no RN alcança 42% da população e coloca o Estado em segundo lugar no país, atrás somente do Rio Grande do Sul, número que vem do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, do Ministério da Saúde, com base em 2025.

O dado é de prevalência: mede quantas pessoas convivem com a condição, em qualquer grau, do quadro mais leve ao severo. Não separa quem está há pouco tempo acima do peso de quem convive com o problema há anos.

O problema não se resume à balança. O excesso de peso vem acompanhado de alterações no organismo que elevam o risco de hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Levantamento da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (Socergs) mostra que doença cardiovascular responde por 41,4% das mortes entre pessoas acima do peso.

A ligação entre peso e coração passa por vários caminhos. O quilo a mais favorece a subida da pressão arterial, mexe no colesterol e nos triglicerídeos, cria resistência à insulina e abre porta para o diabetes tipo 2. Some-se a isso um estado de inflamação crônica.

“Ela pode favorecer o aumento da pressão arterial, alterações no colesterol e nos triglicerídeos, resistência à insulina e diabetes tipo 2, além de um estado de inflamação crônica no organismo”, explica Eva Andrade, docente de Nutrição da Estácio. “Em conjunto, esses fatores aumentam o risco de problemas cardiovasculares.”

As canetas e o que elas fazem

Nesse quadro, o remédio ganhou protagonismo. As mais conhecidas são as canetas emagrecedoras: a semaglutida, princípio ativo do Ozempic, e a tirzepatida, do Mounjaro. Elas agem em mecanismos ligados à fome, à saciedade e ao controle do que se come. O efeito ajuda a reduzir a quantidade de alimento ingerida e, por consequência, contribui para a perda de peso.

A popularização das canetas veio junto com outro uso, o do emagrecimento estético, fora da indicação médica. A nutricionista faz a distinção: são produtos de tratamento de uma doença crônica, e não de estética. “Eles fazem parte de uma estratégia terapêutica para uma doença crônica e precisam ser prescritos e acompanhados por profissionais de saúde”, afirma Eva.

Além do efeito sobre a balança, parte dessas medicações vem sendo estudada pelo que pode provocar na saúde do coração. Segundo a nutricionista, pesquisas com semaglutida encontraram benefício em grupos específicos de pacientes.

 

“Para a semaglutida, por exemplo, foram feitos estudos clínicos que demonstraram redução de eventos cardiovasculares em determinados grupos de pacientes de alto risco”, diz ela. E vem a ressalva: “É importante, porém, não generalizar esses resultados para todas as pessoas que utilizam essas medicações.”

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