70% dos brasileiros já usaram ou usariam inteligência artificial para lidar com questões emocionais
17/09/2026

Pesquisa da Doctoralia aponta disponibilidade 24 horas e custo como motivos; 25,7% dos psicólogos já viram paciente com sinais de dependência emocional de chatbots
Ansiedade, uma noite sem dormir ou uma briga no relacionamento passaram a ter um novo ouvinte. Chatbots de inteligência artificial, programas que conversam por texto, como o ChatGPT e o Gemini, já não servem só para escrever textos e organizar informações: passaram a ser usados também em questões emocionais, para desabafar, pedir conselhos e tentar entender sentimentos. Para parte dos usuários, a tecnologia começa a ocupar um lugar que antes era só da psicoterapia.
Um levantamento da Doctoralia, plataforma de agendamento de consultas, com quase 4 mil usuários mostra que 70% dos brasileiros já usaram ou usariam a inteligência artificial para enfrentar uma questão emocional ou psicológica. Os motivos mais citados são o funcionamento durante as 24 horas do dia, lembrado por 31,2%, e o custo, por 26,2%. A vergonha de falar com outra pessoa aparece para 14%.
A praticidade explica parte da atração. O chatbot atende a qualquer momento, responde na hora e não mostra impaciência nem constrangimento. A sensação de falar sem ser julgado também pode ajudar o usuário a expor problemas que teria dificuldade de contar a alguém.
Isso não quer dizer que a tecnologia seja inadequada para todo assunto de saúde mental. A IA pode ajudar a organizar os pensamentos, explicar conceitos de forma simples, preparar perguntas para uma consulta, sugerir técnicas de relaxamento e acompanhar alguns hábitos. Pode ainda servir de apoio para quem já está em tratamento.
Estudos mostram que chatbots criados especificamente para intervenções em saúde mental podem ajudar a diminuir sintomas de ansiedade e depressão e a melhorar o bem-estar. Uma revisão de estudos divulgada no Journal of Medical Internet Research, periódico científico dedicado à saúde digital, identificou benefícios de sistemas generativos em vários indicadores de saúde mental.
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