Dívida pública em alta vai exigir negociação de medidas logo após as eleições
03/08/2026

Prédio do Ministério da Fazenda e Receita Federal na avenida Prestes Maia, em São Paulo • ITACI BATISTA/AE/ESTADÃO CONTEÚDO
O crescimento da dívida pública para o mesmo patamar da época da Covid-19 vai exigir a negociação de medidas ainda neste ano pelo próximo presidente eleito para entrarem em vigor nos primeiros três meses de 2027.
A avaliação de economistas ouvidos pela Folha é que o salto de quase 11 pontos percentuais da dívida bruta durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva torna urgente a discussão das medidas robustas de ajuste nas contas públicas pelos candidatos que disputam o Palácio do Planalto.
O diagnóstico dos especialistas é que o tema não terá influência direta na escolha do voto dos eleitores no pleito de outubro, mas será usado pela oposição para pressionar Lula.
Os adversários do petista têm criticado a política fiscal do governo e o aumento do endividamento público, mas até agora ainda não apresentaram nada de concreto.
O estoque da dívida bruta saltou de 71,7% em dezembro de 2022 para 81,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em junho deste ano, alcançando R$ 10,8 trilhões. Um incremento de 10,2 pontos percentuais ao longo de três anos e meio do governo Lula 3.
Na época da Covid-19, os gastos do governo federal aumentaram para fazer frente ao impacto da emergência sanitária na economia e na vida dos brasileiros.
Ao contrário de 2022, quando a equipe do presidente Lula negociou a chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que elevou em cerca de R$ 168 bilhões as despesas do Orçamento da União, agora o sinal terá que ser o contrário: de aperto com corte das despesas obrigatórias.
A IFI (Instituição Fiscal Independente), órgão técnico vinculado ao Senado que promove a transparência das contas públicas, projeta que a dívida bruta deve chegar a 95,7% do PIB no último ano do próximo governo e ultrapassar o patamar de 100% em 2032, se nada for feito para conter o crescimento das despesas.
Daqui a dez anos, o endividamento do país estaria em 115% do PIB. A probabilidade de o estoque da dívida ultrapassar 90%, entre 2026 e 2030, é de 80%, de acordo com a IFI.
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