Adolescente do RN diz que atacou homem em hotel por achar que vítima teria fotografado momento íntimo
28/07/2026

Washington Rodrigo, que trabalhava como motorista autônomo e morava em Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa. Foto: Reprodução
Suspeito teria afirmado que se sentiu ameaçado pela vítima e utilizou uma réplica de arma de fogo para obrigá-la a entregar a senha do celular
O adolescente potiguar de 17 anos suspeito de matar Washington Rodrigo, de 33 anos, dentro de um hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa, afirmou à Polícia Civil que atacou a vítima por medo de ter a relação entre os dois exposta. De acordo com ele, o homem teria fotografado o momento íntimo dos dois. A informação foi divulgada nesta terça-feira 28 pela Polícia Civil da Paraíba durante uma coletiva de imprensa.
Segundo o delegado Diego Garcia, responsável pela investigação, o adolescente contou que conheceu Washington por meio de um site de relacionamentos. Após o encontro no hotel, o suspeito teria afirmado que se sentiu ameaçado pela vítima e utilizou uma réplica de arma de fogo para obrigá-la a entregar a senha do celular.
De acordo com a versão apresentada pelo adolescente, Washington teria feito registros do momento íntimo entre os dois, o que teria causado medo de exposição. O suspeito também afirmou que a vítima teria sido algemada como parte de um fetiche.
“Alegou que se sentiu intimidado e ameaçado pela vítima que supostamente teria fotografado alguma parte do momento íntimo dos dois, ao passo que fez ele se algemar, simulando um fetiche, e, mediante o uso de uma airsoft, o constrangeu para entregar seu celular para que ele verificasse se havia mensagem ou fotografias em detrimento de sua pessoa”, afirmou o delegado.
Ainda conforme a Polícia Civil, o adolescente relatou que utilizou o cabo de um secador de cabelo encontrado no quarto para estrangular Washington Rodrigo. Segundo a investigação, o jovem teria dito que pretendia apenas deixar a vítima desacordada para conseguir deixar o local.
Após o crime, o adolescente teria tentado sair do hotel usando o carro da vítima, mas não conseguiu conduzir o veículo. Segundo o delegado Cristiano Santana, superintendente da Polícia Civil da Paraíba, o suspeito deixou o local sozinho e chegou a fazer publicações nas redes sociais após o ocorrido.
“Ele tenta sair com o carro da vítima, mas não consegue e evade sozinho, em comportamento normal, inclusive fazendo postagens como se nada tivesse acontecido”, afirmou.
Durante a investigação, a polícia informou que não encontrou drogas no quarto do hotel. No local, foram apreendidos uma pistola de airsoft, algemas e uma luva cirúrgica. Segundo os investigadores, os objetos ajudaram a reunir elementos que apontam a participação do adolescente no caso.
Defesa apresentou versão semelhante
Na segunda-feira 27, a defesa do adolescente afirmou que o jovem confessou o ato infracional e apresentou uma versão semelhante à divulgada pela polícia. Segundo o advogado Ariolan Fernandes, o adolescente teria relatado que temia que a relação fosse exposta.
De acordo com a defesa, o adolescente teria encontrado a vítima por meio de um anúncio em um site de relacionamentos e a escolha teria ocorrido de forma aleatória.
“Segundo o adolescente, ele teria medo por manter perante a sociedade a imagem de uma pessoa hetero, temia que aquela relação homossexual fosse exposta”, afirmou o advogado.
A defesa informou ainda que o adolescente teria utilizado um documento falso para entrar no hotel. Segundo o advogado, o jovem fazia palestras e recebia apoio financeiro de familiares e de organizadores dos eventos.
Adolescente já tinha registros de atos infracionais
Durante a coletiva, a Polícia Civil informou que o adolescente possui pelo menos 17 registros de ocorrências no Rio Grande do Norte.
Segundo os investigadores, ele já teria passado por unidade de internação destinada a adolescentes em conflito com a lei. Entre os registros estão atos infracionais semelhantes a furto qualificado, extorsão, perseguição, ameaça, violência doméstica e lesão corporal.
Relembre o caso
Washington Rodrigo, de 33 anos, foi encontrado morto na sexta-feira (24) dentro de um quarto de hotel na orla de Manaíra, em João Pessoa.
Segundo a Polícia Civil, o corpo estava sobre a cama, com as mãos algemadas, um fio de secador enrolado no pescoço e um pano na boca. A investigação aponta que o adolescente teria usado um nome falso para se hospedar no estabelecimento.
Washington trabalhava como motorista autônomo e morava em Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa. Segundo familiares, ele havia informado à mãe que faria uma corrida particular para Pipa, no litoral do Rio Grande do Norte, antes de desaparecer.
O caso é investigado pela Delegacia da Infância e Juventude de João Pessoa. O adolescente permanece apreendido à disposição da Justiça.
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