Hyundai negocia controle da Kia no Brasil
20/07/2026

Dívida bilionária da Kia em tributos no Brasil faz concorrente Hyundai querer exercer o controle com nova fábrica - Foto: divulgação
Reestruturação pode encerrar parceria de mais de 30 anos com o Grupo Gandini e abrir caminho para a primeira fábrica da Kia no Brasil
A Hyundai Motor Company negocia assumir diretamente o controle das operações da Kia no Brasil, em um movimento que poderá redesenhar a estratégia do grupo sul-coreano no mercado nacional. A operação marcaria o fim de mais de três décadas da representação exclusiva da Kia pelo Grupo Gandini e abriria caminho para a instalação da primeira fábrica da marca no País.
A reestruturação ocorre poucos meses após a Hyundai concluir a incorporação de suas operações brasileiras, anteriormente compartilhadas com o Grupo Caoa, alinhando o Brasil ao modelo de gestão adotado pela companhia em outros mercados. O principal entrave para o projeto continua sendo a disputa judicial envolvendo a antiga Asia Motors, incorporada globalmente pela Kia no fim da década de 1990.
A empresa havia obtido incentivos fiscais para instalar uma fábrica no Brasil, compromisso que não foi cumprido após a crise financeira asiática. A dívida tributária, atualizada para cerca de R$ 6 bilhões, tornou-se objeto de uma longa disputa entre a União e a montadora. Em 2023, o Superior Tribunal de Justiça determinou o retorno da execução fiscal à primeira instância para reavaliar a responsabilização da Kia pelo passivo da Asia Motors, mantendo o processo em aberto.
Segundo informações publicadas pela imprensa especializada, as negociações em curso preveem uma solução negociada para o passivo histórico. Em troca da liquidação da dívida, a Hyundai assumiria formalmente o compromisso de construir uma unidade industrial da Kia no Brasil, com forte possibilidade de instalação em Piracicaba (SP), ao lado da atual fábrica da Hyundai, aproveitando a infraestrutura logística, a cadeia de fornecedores e a engenharia já instalada.
O projeto também abriria espaço para ampliar a produção nacional de veículos híbridos e elétricos, segmento considerado prioritário pela matriz coreana diante do avanço das montadoras chinesas no mercado brasileiro. O presidente da Kia Brasil, José Luiz Gandini, afirma que nenhuma decisão foi tomada. “Essa negociação sobre a dívida da Asia Motors ocorre há 20 anos. O que muda agora é o surgimento da nova legislação que eles poderiam aproveitar”, disse ao Jornal do Carro.
Segundo o executivo, a instalação de uma fábrica depende de estudos de viabilidade econômica e ainda não há prazo para uma definição. “Não gostaria de perder a marca, dediquei a minha vida a este negócio”, afirmou. Atualmente, a Kia mantém 68 concessionárias no Brasil e é representada pelo Grupo Gandini desde 1992, período em que consolidou sua atuação como uma das maiores importadoras de veículos sem produção local. Até o momento, a Hyundai Motor Brasil informou que não comentará as negociações.
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