Tia que salvou bebê de sequestro será indiciada; entenda o motivo
17/07/2026

Técnica de enfermagem presa preventivamente por suspeita de tentar sequestrar uma recém-nascida na Maternidade Dona Evangelina Rosa. Foto: Reprodução
Daniela Beatriz divulgou uma fotografia com o rosto e o nome de uma profissional, apontando-a como "a outra mulher que ajuda" a suspeita da tentativa de sequestro
A Polícia Civil do Piauí vai indiciar Daniela Beatriz, tia da recém-nascida que sofreu uma tentativa de sequestro na Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, pelos crimes de calúnia e difamação qualificada. Segundo a delegada Amanda Bezerra, responsável pelo caso, a investigação concluiu que ela publicou, nas redes sociais, conteúdos que associavam uma enfermeira da unidade ao crime, sem que houvesse qualquer comprovação.
De acordo com a Polícia Civil, Daniela divulgou uma fotografia com o rosto e o nome de uma profissional da maternidade, apontando-a como “a outra mulher que ajuda” a suspeita da tentativa de sequestro. As investigações, conduzidas em conjunto com o delegado Hugo Alcântara, indicam que Auricélia Rocha, investigada pelo crime, agiu sozinha, sem participação de funcionários da maternidade.
A delegada Amanda Bezerra informou que essa não foi a única publicação feita por Daniela. Outras postagens também passaram a integrar o inquérito por supostamente atingirem a honra e a reputação da profissional.
Após a divulgação das imagens, o Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) divulgou nota manifestando preocupação com a exposição da enfermeira.
Em entrevista ao g1, Daniela afirmou que compartilhou as publicações logo após a tentativa de sequestro por acreditar que estava contribuindo para esclarecer o caso.
“Se eu não tivesse divulgado essas fotos, colocado nas redes sociais e mencionado ela em algumas coisas que aconteceram, talvez nem tivesse tomado essa proporção tão grande”, afirmou.
Ela também disse que não pretendia prejudicar ninguém. “Naquele momento, eu estava passando por tudo aquilo e entendi que precisava mostrar o que estava acontecendo. Eu não tinha intenção de prejudicar ninguém, queria apenas que a situação fosse esclarecida”, declarou.
Segundo a delegada Amanda Bezerra, a supervisora da maternidade registrou boletim de ocorrência após ter o nome e a imagem amplamente divulgados nas redes sociais.
“A supervisora da maternidade registrou o boletim de ocorrência e pediu a instauração do inquérito policial justamente por causa da ampla divulgação do nome dela. Ela não teve participação nenhuma nos fatos”, afirmou.
Durante a investigação, Daniela foi ouvida por videoconferência e confirmou que realizou as publicações, embora tenha negado ter utilizado algumas das expressões atribuídas a ela.
Com a conclusão das diligências, o inquérito será encaminhado ao Poder Judiciário.
“A gente está investigando uma difamação qualificada, bem como a calúnia qualificada pelo uso das redes sociais, que facilita a ampla divulgação de notícias inverídicas. Quando foram divulgadas as imagens e até os nomes, pessoas que não tinham correlação com o fato acabaram sendo expostas, colocando em xeque a honra e a moralidade delas”, explicou Amanda Bezerra.
Além do indiciamento criminal por calúnia e difamação qualificada, Daniela também poderá responder na esfera cível pela divulgação da imagem da supervisora da maternidade, conforme apurado pela Polícia Civil.
O caso
A técnica de enfermagem presa preventivamente por suspeita de tentar sequestrar uma recém-nascida na Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina (Piauí), dizia aos familiares que estava grávida. Durante as investigações, a Polícia Civil encontrou na residência da suspeita um quarto preparado para receber um bebê, com berço, banheira, fraldas e roupas infantis.
Segundo a polícia, os parentes afirmaram que acreditavam na gestação, embora a mulher nunca tivesse apresentado exames ou qualquer outro documento que comprovasse a gravidez.
“A gente conseguiu constatar que realmente havia fraldas, roupinhas de bebê, banheira e berço. Todos os parentes disseram que acreditavam que ela estava grávida. Apesar de, em retrospectiva, ela não ter mostrado nenhum exame ou nada do tipo”, afirmou um dos investigadores responsáveis pelo caso.
O episódio ocorreu na maior maternidade pública do Piauí. De acordo com a investigação, a técnica de enfermagem, que estava de folga, retirou a recém-nascida dos familiares alegando que a criança passaria por exames de rotina. A tia da bebê desconfiou da atitude da funcionária, impediu que ela deixasse a unidade e a recém-nascida foi encontrada escondida dentro de uma bolsa.
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