Cada R$ 1 investido na Uern gera R$ 1,45 na economia potiguar, aponta estudo
17/07/2026

Cada real investido na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) gera R$ 1,45 em produção econômica no Estado. A conclusão é de um estudo divulgado pelo Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte (Corecon-RN), que mensurou os efeitos da execução orçamentária da instituição sobre a economia potiguar e concluiu que a universidade exerce um papel que vai muito além da formação de profissionais, movimentando diversos setores produtivos, ampliando a arrecadação pública e contribuindo para a redução das desigualdades regionais.
Com base na execução orçamentária de 2024, quando a Uern liquidou R$ 422,5 milhões em despesas — dos quais R$ 420,8 milhões foram considerados na análise econômica —, os pesquisadores estimaram que as ações da universidade geraram R$ 437,1 milhões em produção na economia estadual, considerando efeitos diretos, indiretos e induzidos. Somado ao retorno fiscal de R$ 118,7 milhões em receitas correntes, principalmente por meio de ICMS e Imposto de Renda, o impacto econômico agregado alcança R$ 555,8 milhões.
Segundo o levantamento, o multiplicador econômico da instituição é de 1,45. Na prática, isso significa que cada R$ 1 investido pela universidade resulta em aproximadamente R$ 1,45 em produção de bens e serviços no Rio Grande do Norte.
O estudo foi elaborado pelos economistas Adonias Vidal de Medeiros Júnior e Arthur Henrique Pinheiro Néo, utilizando dados da execução orçamentária da universidade e uma matriz de insumo-produto regionalizada para medir como os gastos da instituição se espalham pelos diferentes segmentos da economia potiguar.
Os autores destacam, porém, que os números apresentados representam uma estimativa conservadora e que a contribuição real da universidade tende a ser significativamente superior. “Os efeitos da Uern na economia do Estado do RN são significativamente maiores do que os observados nesta análise”, afirmam os pesquisadores. Eles acrescentam que os resultados atuais representam apenas um “limite mínimo (piso) dos impactos reais”, em razão da indisponibilidade de informações estatísticas que permitiriam mensurar toda a cadeia de geração de empregos, renda e consumo.
Setores da economia
O levantamento mostra que os recursos aplicados pela universidade não permanecem restritos ao ambiente acadêmico. Obras, reformas, aquisição de equipamentos, compra de materiais, contratação de serviços, bolsas estudantis, pesquisa, extensão, inovação e, principalmente, a folha de pagamento movimentam empresas e trabalhadores em praticamente todos os segmentos econômicos do Estado.
Segundo os pesquisadores, a Uern gera demanda para setores como construção civil, indústria de transformação, comércio atacadista e varejista, transporte, tecnologia da informação, telecomunicações, mercado imobiliário, saúde, educação, hotelaria, alimentação e diversos serviços especializados.
A lógica é que cada contratação realizada pela universidade desencadeia novas demandas ao longo da cadeia produtiva. Uma obra, por exemplo, exige cimento, aço, concreto, madeira, máquinas, transporte, energia elétrica e mão de obra. Os fornecedores, por sua vez, precisam adquirir novos insumos e contratar serviços, produzindo um efeito multiplicador sobre a economia.
O estudo ressalta que esse processo ocorre de maneira contínua durante todo o ano, funcionando como sucessivas injeções de recursos na economia potiguar.
Os pesquisadores também chamam atenção para a importância da estrutura descentralizada da universidade. Com seis campi presenciais distribuídos por diferentes regiões do Estado e polos de educação a distância espalhados pelo interior, a circulação de recursos não fica concentrada apenas em Mossoró ou Natal.
Na avaliação do Corecon, essa capilaridade fortalece economias locais, amplia o comércio, estimula a prestação de serviços e ajuda a reduzir desigualdades regionais. “Essa capilaridade geográfica da Universidade funciona como um polo de atração de talentos e um catalisador de oportunidades econômicas, fortalecendo a resiliência das economias municipais e promovendo a interiorização do desenvolvimento técnico-científico.”
Além do impacto imediato sobre a atividade econômica, o estudo sustenta que a universidade exerce um papel estratégico no desenvolvimento de longo prazo, ao formar profissionais qualificados, estimular inovação, desenvolver pesquisas e ampliar a produtividade da economia potiguar.
Os autores observam que a instituição mantém uma extensa atuação em ensino, pesquisa, extensão e inovação em praticamente todos os municípios do Estado. Atualmente, a universidade possui seis campi, cerca de 20 polos de educação a distância, 109 cursos de graduação e pós-graduação, mais de 1,5 mil servidores, mais de 18 mil estudantes em formação e já diplomou mais de 72,5 mil profissionais, dos quais mais de 60 mil em cursos de graduação. Segundo o levantamento, aproximadamente 90% dos professores das redes públicas de ensino do interior do Rio Grande do Norte foram formados pela Uern.
Impacto pode chegar a R$ 2,7 bilhões
Embora os resultados já apontem um efeito expressivo sobre a economia estadual, o Corecon afirma que eles ainda representam apenas parte da contribuição econômica da universidade.
Isso ocorre porque a base estatística atualmente disponível permite calcular apenas os efeitos iniciais do ciclo econômico. Ainda não é possível medir integralmente os impactos sucessivos gerados pelo aumento da renda, do consumo e do emprego decorrentes da atividade universitária.
Por esse motivo, os pesquisadores defendem uma segunda etapa do estudo, com modelos econômicos mais abrangentes. A expectativa é que essa nova fase consiga mensurar toda a cadeia de impactos produzida pela instituição.
Segundo o documento, as estimativas preliminares indicam que esse efeito poderá alcançar aproximadamente R$ 2,7 bilhões em produção econômica agregada, além de 17 mil a 22 mil empregos, revelando uma contribuição muito superior à atualmente capturada pelos cálculos.
O estudo também insere a discussão em um contexto mais amplo. Os autores afirmam que o Rio Grande do Norte vive uma janela demográfica favorável, com elevada proporção da população em idade ativa nas próximas décadas, e sustentam que o fortalecimento do ensino superior será decisivo para transformar esse potencial em crescimento econômico, produtividade e desenvolvimento regional.
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