Inflação perde força com alimentos
13/07/2026

A inflação oficial desacelerou pelo quarto mês consecutivo em junho, impulsionada pela primeira queda dos preços dos alimentos desde novembro de 2025. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,16% no mês, ante 0,58% em maio, registrando a menor variação desde outubro do ano passado. O resultado, divulgado nesta sexta-feira 10 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou abaixo da expectativa do mercado financeiro, que projetava alta de 0,32%, segundo o boletim Focus do Banco Central.
No acumulado de 12 meses, o IPCA passou de 4,72% para 4,64%, permanecendo acima do teto da meta contínua de inflação, fixada em 4,5%, mas mostrando desaceleração em relação ao mês anterior. No primeiro semestre, a inflação soma 3,36%. Em junho de 2025, o índice havia registrado alta de 0,24%.
Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, alimentação e bebidas foi o único a exercer pressão negativa mais expressiva sobre o índice, com queda de 0,24% e impacto de -0,05 ponto percentual. A alimentação no domicílio recuou 0,39%, registrando a primeira deflação desde novembro de 2025 e o menor resultado desde agosto do mesmo ano (-0,83%). Já a alimentação fora do domicílio apresentou alta de 0,15%.
Os principais recuos vieram do café moído (-3,72%), frutas (-1,58%), carnes (-0,64%), açaí em emulsão (-14,41%), óleo de soja (-2,78%) e tomate (-2,02%). Segundo o analista da pesquisa Fernando Gonçalves, a redução reflete uma combinação de devolução de altas registradas anteriormente e aumento da oferta de alguns produtos, especialmente do tomate.
Na direção oposta, o grupo habitação respondeu pela maior pressão inflacionária do mês, com alta de 0,63% e impacto de 0,10 ponto percentual no índice. O principal fator foi a energia elétrica residencial, que subiu 1,53% em razão da manutenção da bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, além dos reajustes tarifários aplicados em Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
O grupo transportes registrou alta de 0,17%. As passagens aéreas avançaram 7,12%, compensando parcialmente a queda de 0,48% nos combustíveis. O etanol recuou 3,09%, o óleo diesel caiu 1,19%, o gás veicular teve redução de 0,19% e a gasolina ficou 0,12% mais barata.
O índice de difusão, que mede o percentual de produtos e serviços com aumento de preços, caiu para 54%, o menor nível desde outubro de 2025, quando havia marcado 52%. Isso significa que pouco mais da metade dos 377 subitens pesquisados apresentou elevação de preços no mês, indicando desaceleração mais disseminada da inflação.
Na abertura por componentes, os preços de serviços subiram 0,34%, abaixo dos 0,40% registrados em maio, enquanto os preços monitorados avançaram 0,29%, também em ritmo inferior ao observado no mês anterior, de 0,43%. O comportamento desses grupos é acompanhado de perto pelo Banco Central na condução da política monetária.
O IPCA é o indicador utilizado pelo Banco Central para o acompanhamento do regime de metas de inflação. A meta permanente é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Desde 2025, o cumprimento da meta passou a ser avaliado continuamente com base nos 12 meses anteriores, sendo considerado descumprido caso a inflação permaneça acima do limite por seis meses consecutivos. O índice mede a variação do custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e acompanha os preços de 377 produtos e serviços em 16 localidades do País.
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