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Cães idosos têm maior risco de hérnia, alerta veterinário

13/07/2026


A hérnia perineal, condição que acomete principalmente cães machos, idosos e não castrados, pode evoluir para uma emergência veterinária e até levar o animal à morte quando não tratada. O alerta foi feito pelo médico-veterinário Robson Góes. Segundo o especialista, o problema ocorre quando há rompimento da musculatura da região próxima ao ânus, permitindo que órgãos como reto, intestino e até a bexiga se desloquem para o espaço formado pela hérnia.

De acordo com Robson Góes, a doença é mais frequente em cães do que em gatos e apresenta maior incidência em raças como Poodle e Pastor Alemão. “Os felinos a gente não encontra hérnia perineal. É mais comum em cães e principalmente em raças como Pastor Alemão e Poodle”, explicou.

O veterinário afirmou que a maioria dos pacientes apresenta um perfil semelhante. “A maioria desses animais que apresentam esse problema são machos, não castrados e idosos.” Segundo ele, a idade favorece a fragilidade das fibras musculares, enquanto a testosterona aumenta a predisposição ao crescimento da próstata, dificultando a evacuação e contribuindo para o aparecimento da hérnia.

Além dos fatores hormonais, Robson Góes explicou que a alimentação inadequada também influencia no desenvolvimento da doença. Dietas pobres em fibras, episódios frequentes de diarreia ou constipação e esforço excessivo para evacuar aumentam a pressão sobre a musculatura da região perineal, favorecendo sua ruptura.

Entre os primeiros sinais da doença, o especialista destaca o aparecimento de um aumento de volume ao lado do ânus. Dependendo do órgão deslocado, o animal pode apresentar dificuldade para evacuar ou para urinar. Quando o reto ocupa esse espaço, há acúmulo de fezes, enquanto o deslocamento da bexiga pode impedir a micção.

“O animal começa a ter dificuldade de defecar. Se for a bexiga que esteja localizada ali próximo do ânus, aí o animal vai ter dificuldade de urinar. Quando essa bexiga fica encarcerada, o animal não consegue urinar e aí a gente vai ter uma emergência veterinária”, afirmou. Segundo Robson Góes, esse é o quadro mais grave da doença, pois a bexiga pode sofrer necrose e romper caso não seja realizada cirurgia de urgência.

O veterinário orienta que tutores procurem assistência assim que perceberem alterações como esforço para evacuar, fezes muito finas ou ressecadas, dificuldade para urinar ou aumento de volume na região perineal. “Se tem um aumento de volume lateral, ali próximo ao ânus, você tem de procurar um médico veterinário. Aquilo ali pode ser uma hérnia, mas também pode ser um câncer”, alertou.

O diagnóstico é realizado inicialmente por meio do exame clínico e do toque retal. A ultrassonografia é utilizada para identificar quais estruturas estão presentes na hérnia, enquanto exames como radiografia e tomografia computadorizada podem complementar a investigação em alguns casos.

Sobre o tratamento, Robson Góes afirmou que a cirurgia é a única forma definitiva de corrigir o problema. Segundo ele, apenas reposicionar manualmente os órgãos não resolve a doença porque a musculatura permanece rompida.

“O tratamento é cirúrgico. A outra alternativa seria você ficar fazendo a reversão dessa hérnia. Porém, como a musculatura está rompida, ela vai sempre voltar”, explicou. O veterinário ressaltou que mesmo após a cirurgia existe risco de recidiva, sendo necessária, em alguns casos, a utilização de telas cirúrgicas para reforçar a musculatura.

O pós-operatório também exige cuidados específicos, principalmente porque a região operada fica próxima ao ânus e está constantemente exposta à contaminação por fezes. Além do controle da dor, o animal deve receber alimentação adequada e medicamentos para evitar esforço durante a evacuação.

“Se ele forçar bastante ao defecar, corre o risco de romper toda a cirurgia e a hérnia voltar”, afirmou. Como forma de prevenção, Robson Góes recomenda alimentação balanceada, boa hidratação e castração dos machos. “Quando você castrar o macho, vai diminuir a possibilidade de hiperplasia prostática benigna e diminuir a interferência da testosterona nessa musculatura”, explicou.

Durante a entrevista, o veterinário respondeu dúvidas de ouvintes sobre vermifugação, vacinação contra o cio em gatas, castração, comportamento de cães machos, controle de pulgas, convulsões e uso de medicamentos. Sobre a crença de que um cão precisa cruzar antes de ser castrado, Robson Góes afirmou que isso não passa de um mito.

 

“Meu animal nunca cruzou, vai causar algum problema? Isso aí é um mito”, disse. Ele também explicou que a castração não modifica, por si só, o comportamento agressivo do animal. “A questão comportamental e a agressividade do animal têm que ser tratadas com adestramento”, concluiu.

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