Indústria salineira mira nova era com baterias de íons de sódio
08/07/2026

Responsável por cerca de 95% da produção brasileira de sal marinho, o Rio Grande do Norte pode ocupar uma posição estratégica em uma das transformações mais relevantes da indústria global de energia. A expansão das baterias de íons de sódio, apontada por analistas como alternativa de menor custo às baterias de lítio, abre uma nova perspectiva para a cadeia salineira potiguar. No entanto, representantes do setor e do governo estadual afirmam que o aproveitamento dessa oportunidade dependerá da capacidade de transformar uma atividade tradicionalmente extrativista em uma indústria de maior valor agregado, baseada em tecnologia, pesquisa e inovação.
A avaliação ganhou força após a divulgação do relatório “Salt: The New Oil”, do banco Morgan Stanley, que estima investimentos globais de aproximadamente US$ 800 bilhões até 2035 na cadeia das baterias de sódio. O estudo projeta que a tecnologia poderá alcançar capacidade anual de produção entre 2,4 e 3,7 terawatts-hora (TWh) em 2035, impulsionando desde a mineração e a indústria química até a fabricação de equipamentos para armazenamento de energia, veículos elétricos e infraestrutura elétrica.
O Rio Grande do Norte reúne vantagens naturais para participar desse movimento. Além de concentrar praticamente toda a produção nacional de sal marinho, o setor representa uma das principais atividades industriais do Estado, gerando cerca de 15 mil empregos diretos e mais de 50 mil indiretos. A cadeia salineira abastece a indústria química brasileira, o tratamento de água, a alimentação, a pecuária e mantém operações de exportação para mercados da América do Norte, Europa e África.
Apesar desse potencial, o presidente do Sindicato das Indústrias de Extração de Sal do Estado do Rio Grande do Norte (Siesal-RN), Aírton Torres, afirma que a produção das futuras baterias depende de tecnologias inexistentes atualmente na indústria local. Segundo ele, a prioridade deverá ser a formação de parcerias com empresas nacionais e internacionais que dominam o conhecimento necessário para transformar o sal em componentes industriais de maior valor agregado.
“Está aberta a possibilidade de empresas salineiras locais avançarem nesse novo ambiente tecnológico, desde que firmem parcerias com empresas nacionais ou internacionais que detenham a tecnologia”, afirma.
Para Torres, o mercado ainda está em estágio inicial de desenvolvimento, o que reduz a velocidade dos investimentos privados. Segundo ele, ainda não há registro de empresas salineiras potiguares negociando acordos tecnológicos, justamente porque a cadeia produtiva das baterias de sódio continua em fase de pesquisa e consolidação industrial.
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