Natal conclui liberação de mosquitos que reduzem transmissão da dengue
30/06/2026

Solturas serão concluídas na próxima semana em 13 bairros da capital; resultados da estratégia são esperados a partir de um ano após o início da implementação
As liberações dos mosquitos com Wolbachia, conhecidos como “Wolbitos”, em Natal serão concluídas na próxima semana, marcando o fim da etapa de solturas da estratégia adotada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para reduzir a transmissão de dengue, zika e chikungunya. Com o encerramento dessa fase, terá início o monitoramento da presença da bactéria nos mosquitos da cidade, enquanto os primeiros resultados concretos da intervenção são esperados após cerca de um ano do início das liberações.
Atualmente, as solturas ocorrem nos bairros Alecrim, Areia Preta, Candelária, Capim Macio, Dix-Sept Rosado, Mãe Luiza, Neópolis, Nossa Senhora de Nazaré, Ponta Negra, Quintas, Redinha, Rocas e Santos Reis.
“As liberações acabam na próxima semana e aí o pessoal vai iniciar a fase de monitoramento”. A pasta informa ainda que “resultados concretos mesmo a previsão é depois de um ano de início das solturas”, informou a SMS à reportagem do AGORA RN.
Durante a fase de implantação, a SMS ressalta que pode ocorrer um aumento temporário da quantidade de mosquitos em algumas áreas da cidade. De acordo com o município, esse crescimento é esperado e faz parte da estratégia de implementação do método.
Os Wolbitos são mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, presente naturalmente em mais da metade dos insetos existentes na natureza. Quando liberados, eles se reproduzem com os mosquitos locais, fazendo com que a bactéria seja transmitida às novas gerações. Com isso, os insetos passam a ter dificuldade de desenvolver e transmitir os vírus da dengue, zika e chikungunya.
Segundo a SMS, o Método Wolbachia é seguro, natural e autossustentável e representa uma medida complementar às demais ações de combate às arboviroses. Mesmo após o encerramento das liberações, a orientação é que a população continue eliminando água parada e criadouros do mosquito, já que a participação da comunidade permanece fundamental para o controle das doenças.
A estratégia começou em Natal com a inauguração, em outubro passado, da biofábrica instalada no bairro Felipe Camarão, resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Natal, o World Mosquito Program (WMP Brasil), o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Com aproximadamente 400 metros quadrados, a unidade é responsável pela produção dos Wolbitos e conta com salas de triagem, criação de larvas, lavagem, estoque e montagem dos tubos utilizados nas liberações em campo.
Na inauguração, o secretário municipal de Saúde, Geraldo Pinho, classificou a iniciativa como um investimento em prevenção. “Esse é um momento histórico no município de Natal, em que vamos contar com mais essa tecnologia para auxiliar na redução significativa dos casos de dengue, zika e chikungunya. Porque saúde não é a doença, também é a prevenção e cuidado, e essa é mais uma estratégia que se soma às ações contínuas de controle vetorial que a gestão vem desenvolvendo e vai contribuir para a diminuição de casos de arboviroses no município”, afirmou.
O secretário também destacou o trabalho dos Agentes de Combate às Endemias (ACE) na vigilância e na orientação da população sobre o funcionamento do método.
Para a gestora de implementação do Método Wolbachia no WMP-Fiocruz, Ana Carolina Rabelo, a tecnologia representa um reforço às ações já existentes. “Esse é um marco extremamente importante para nós e para a população de Natal, a chegada do Método Wolbachia vem para ter um impacto positivo na redução da transmissão das arboviroses. É importante enfatizar também que o método é natural, seguro e autossustentável, não há nenhum processo de modificação genética, então o método é totalmente seguro para a população”, explicou.
O secretário de Estado da Saúde Pública, Alexandre Motta, destacou que os efeitos da estratégia são observados em um prazo mais longo. “Esse método é algo benéfico, algo positivo para a cidade e para o estado como um todo, e que reforça o avanço da ciência no combate às doenças”, afirmou, ressaltando que os resultados da implementação podem ser observados cerca de dois anos após o encerramento das liberações.
A coordenadora-geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde, Lívia Vinhal, também ressaltou que a estratégia complementa outras ações de controle. “Combater arboviroses não é uma coisa fácil, não é um problema só da saúde, é um problema que envolve diversos setores. Então, hoje começamos essa liberação, e esse trabalho de muitos anos de pesquisa, e vão ser várias semanas de liberação, de monitoramento e acompanhamento, e eu tenho certeza de que vamos ter um grande êxito aqui em Natal”, declarou.
Estratégia
O Método Wolbachia é considerado uma estratégia complementar às medidas já adotadas pelo município no enfrentamento às arboviroses, como a vacinação contra a dengue para crianças de 10 a 14 anos, o Levantamento Rápido de Índices para Aedes (LIRAa), o trabalho permanente dos Agentes de Combate às Endemias e o monitoramento realizado por meio de ovitrampas, utilizadas em Natal desde 2015.
A primeira etapa do projeto previa aproximadamente 20 semanas de liberações em 33 bairros da capital: Alecrim, Areia Preta, Barro Vermelho, Bom Pastor, Candelária, Capim Macio, Cidade Alta, Cidade da Esperança, Dix-Sept Rosado, Felipe Camarão, Guarapes, Igapó, Lagoa Azul, Lagoa Nova, Lagoa Seca, Mãe Luíza, Nossa Senhora da Apresentação, Nossa Senhora de Nazaré, Neópolis, Nova Descoberta, Pajuçara, Pitimbu, Planalto, Ponta Negra, Potengi, Praia do Meio, Quintas, Redinha, Ribeira, Rocas, Salinas, Santos Reis e Tirol.
O World Mosquito Program atua em 15 países. No Brasil, o Método Wolbachia está presente desde 2012. Niterói (RJ) foi o primeiro município brasileiro a ter todo o território coberto pela estratégia.
Segundo dados do programa, em 2024 a cidade registrou redução de 89% nos casos de dengue em comparação com o período anterior à intervenção, entre 2007 e 2016. No mesmo ano, quando o Brasil enfrentou a maior epidemia de dengue da história, com 6,6 milhões de casos e 6.200 mortes, Niterói apresentou 374 casos por 100 mil habitantes, índice inferior ao registrado no estado do Rio de Janeiro (1.884 por 100 mil) e no país (3.157 por 100 mil).
Casos de dengue
O boletim epidemiológico mais recente da Secretaria Municipal de Saúde, referente às semanas epidemiológicas 1 a 24 de 2026, aponta tendência de redução de 59,5% nos casos prováveis de arboviroses em comparação com o mesmo período de 2025.
No período de 4 de janeiro a 20 de junho, Natal notificou 1.217 casos de arboviroses, sendo 1.100 classificados como casos prováveis. Desse total, a dengue respondeu por 89,1% das notificações, seguida por chikungunya (8,5%) e zika (2,5%).
Em relação apenas à dengue, foram registrados 980 casos prováveis, 353 casos confirmados e incidência de 130,33 casos por 100 mil habitantes. Não houve óbito confirmado pela doença até a 24ª semana epidemiológica.
Ainda segundo o boletim, 4,7% dos pacientes com casos prováveis de arboviroses foram hospitalizados. Os dados são preliminares e podem sofrer alterações conforme a atualização das notificações no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
No Rio Grande do Norte, dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), referentes às semanas epidemiológicas 1 a 22, contabilizam 6.205 casos notificados de dengue, 4.074 casos prováveis, 1.147 confirmações e um óbito. No Estado, nas últimas três semanas epidemiológicas, houve aumento dos casos de dengue em comparação com o mesmo período de 2025.
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