SUS avalia ampliar uso de canetas emagrecedoras
29/06/2026

Canetas emagrecedoras mounjaro saxenda - Foto: Freepik
Ministério da Saúde analisa nova proposta da Novo Nordisk para pacientes com obesidade e histórico de infarto; programas locais já distribuem medicamentos à base de semaglutida
O Ministério da Saúde, governos estaduais e prefeituras ampliaram as discussões sobre o uso de medicamentos à base de semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS). Enquanto a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) analisa um novo pedido da farmacêutica Novo Nordisk para incluir o Wegovy na rede pública, estados e municípios já implementam programas voltados a grupos específicos de pacientes com obesidade e diabetes.
A nova solicitação da farmacêutica foi protocolada no início de maio e restringe o público-alvo a pacientes com obesidade que já sofreram infarto. A proposta difere da apresentada em 2025, quando a empresa buscava atender um grupo mais amplo. Na ocasião, a Conitec rejeitou a incorporação do medicamento ao apontar que o impacto financeiro poderia chegar a R$ 8 bilhões para os cofres públicos.
Na nova tentativa, a Novo Nordisk ampliou o desconto oferecido ao governo. Se anteriormente propunha redução de 30% sobre o preço de tabela, agora promete desconto de 59%. A empresa estima que aproximadamente 38.598 pacientes poderão ser contemplados, com custo anual entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões.
Pela proposta apresentada, as doses do Wegovy seriam comercializadas ao SUS por valores entre R$ 396,88 e R$ 764,64, conforme a apresentação do medicamento. O processo de análise seguirá os trâmites da Conitec, que dispõe de prazo de 180 dias, prorrogável por mais 90 dias, para emitir parecer técnico. Além da avaliação científica e econômica, o processo passará por consulta pública. A comissão também poderá propor alterações no perfil dos pacientes aptos ao tratamento e apresentar estimativas próprias sobre o impacto financeiro da incorporação. A decisão final caberá ao Ministério da Saúde.
O vice-presidente de Assuntos Corporativos da Novo Nordisk, Leonardo Bia, afirma que a nova proposta foi direcionada a pacientes considerados prioritários para o tratamento.
Segundo ele, a iniciativa atende um grupo de “altíssimo risco”, que necessita de tratamento imediato, e oferece um dos “menores preços do mundo” para o medicamento.
Enquanto a análise nacional segue em andamento, governos estaduais e municipais avançam com programas próprios de distribuição das chamadas canetas emagrecedoras. A Prefeitura do Rio de Janeiro prepara a maior aquisição pública do medicamento no país, com previsão de atender cerca de 3 mil pacientes por ano.
Nas últimas semanas, a Secretaria Municipal de Saúde firmou uma ata de registro de preços com a Novo Nordisk para aquisição de até R$ 16 milhões em Wegovy ao longo dos próximos 12 meses. A oferta do medicamento na rede pública foi uma promessa de campanha do prefeito Eduardo Paes (PSD).
Em março, pouco antes de deixar a prefeitura para disputar o governo estadual, Paes aplicou a primeira dose do medicamento em um paciente selecionado para participar do programa municipal. Além da iniciativa carioca, estados que já utilizavam medicamentos da geração anterior, à base de liraglutida, iniciaram a atualização de seus protocolos para adotar a semaglutida. Goiás, Rio de Janeiro e Distrito Federal anunciaram mudanças nesse sentido ao longo deste ano.
Em Goiás, por exemplo, o novo protocolo é destinado a adolescentes e jovens entre 12 e 21 anos diagnosticados com obesidade. O tratamento exige acompanhamento por equipe multiprofissional, prática de atividade física e adoção de hábitos saudáveis.
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