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Brincar ao ar livre pode proteger saúde mental infantil, aponta estudo

10/06/2026


Parques, praças, quintais e áreas verdes são espaços que favorecem o bem-estar infantil - Foto: Magnific

Pesquisa com mais de 4 mil crianças identificou que atividades em ambientes externos na pré-escola estão associadas a menores índices de problemas emocionais e comportamentais ao longo da infância.

Passar mais tempo brincando ao ar livre durante os primeiros anos de vida pode trazer benefícios duradouros para a saúde mental das crianças. É o que aponta um estudo liderado pela University of Exeter, no Reino Unido, que identificou uma associação entre brincadeiras em ambientes externos na fase pré-escolar e menores índices de dificuldades emocionais e comportamentais ao longo da infância.

A pesquisa foi publicada na revista científica Journal of Child Psychology and Psychiatry e é considerada uma das primeiras a acompanhar a relação entre o hábito de brincar ao ar livre entre crianças de 2 a 4 anos e sua saúde mental em etapas posteriores do desenvolvimento.

Embora estudos anteriores já tenham sugerido benefícios das atividades externas para o bem-estar infantil, o novo trabalho amplia esse conhecimento ao analisar como essas experiências influenciam a trajetória emocional das crianças ao longo dos anos.

Os pesquisadores utilizaram dados de mais de 4 mil participantes da coorte Growing Up in Scotland, um dos principais levantamentos de acompanhamento infantil do Reino Unido. A equipe avaliou indicadores de saúde mental aos 4, 5, 6 e 8 anos de idade.

A análise contemplou tanto sintomas chamados externalizantes — relacionados a comportamentos como agressividade, impulsividade e hiperatividade — quanto sintomas internalizantes, associados a quadros de ansiedade, tristeza persistente e depressão.

Os resultados mostraram que a maioria das crianças apresentou baixos níveis de dificuldades emocionais durante o período analisado. No entanto, algumas desenvolveram problemas progressivos ao longo da infância, enquanto outras já apresentavam sinais desde os primeiros anos de vida.

Segundo os pesquisadores, o tempo dedicado às brincadeiras ao ar livre parece desempenhar papel importante nessa trajetória. A pesquisa identificou que, para cada dia adicional de brincadeiras externas em uma semana típica durante a fase pré-escolar, aumentava entre 6% e 14% a probabilidade de a criança manter níveis saudáveis de saúde mental até os 8 anos de idade.

Os dados sugerem que experiências simples, como brincar em parques, praças, quintais ou outras áreas abertas, podem contribuir para reduzir o risco de dificuldades emocionais futuras.

Para a professora Helen Dodd, coordenadora do estudo, os resultados reforçam a necessidade de ampliar oportunidades para que crianças tenham acesso a ambientes externos seguros e adequados.

“Nossos resultados sugerem que proporcionar às crianças pequenas mais oportunidades para brincar ao ar livre pode ser uma maneira simples e de baixo custo de promover uma melhor saúde mental e deve ser considerada nas políticas de saúde pública, educação e planejamento urbano.”

A pesquisadora defende ainda investimentos na construção e manutenção de parques infantis, além da preservação de áreas verdes e espaços públicos utilizados por famílias e crianças, especialmente para aqueles que não possuem quintal ou jardim em casa.

Os pesquisadores destacam que os resultados podem contribuir para discussões sobre planejamento urbano, políticas educacionais e investimentos em infraestrutura voltada à infância. Na avaliação dos autores, preservar áreas verdes, parques e espaços de convivência pode representar não apenas um incentivo ao lazer, mas também uma ferramenta para a promoção da saúde mental desde os primeiros anos de vida.

A pesquisa reforça uma preocupação crescente entre especialistas diante da redução do tempo que muitas crianças passam em atividades ao ar livre, fenômeno associado ao aumento do uso de telas, à urbanização e às mudanças nos hábitos familiares.

 

Para os autores, garantir oportunidades de brincadeiras em ambientes externos pode representar um investimento de longo prazo no desenvolvimento emocional e social das futuras gerações.

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