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SUS amplia proteção contra pneumonia e meningite com nova vacina

10/06/2026


Vacina incorporada ao Programa Nacional de Imunizações passa a proteger contra 20 sorotipos da bactéria responsável por infecções - Foto: José Aldenir

Novo imunizante passa a proteger contra 20 sorotipos da bactéria pneumococo e será oferecido a bebês e grupos com maior risco de complicações

O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou a incorporação de uma nova vacina para prevenção de doenças causadas pela bactéria pneumococo, responsável por infecções como pneumonia, meningite, otite média e outras formas graves da doença pneumocócica. A mudança amplia a cobertura oferecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e alcança tanto crianças quanto pessoas com condições clínicas que aumentam o risco de complicações.

A partir de junho, o Ministério da Saúde começa a substituir gradualmente a vacina pneumocócica conjugada 10-valente pela vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), que amplia de 10 para 20 o número de sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae cobertos pela imunização.

A atualização ocorre em um momento de mudanças no perfil epidemiológico da doença pneumocócica no Brasil e busca ampliar a proteção contra os sorotipos atualmente mais associados aos casos graves registrados no país.

Entre os diferenciais da nova vacina está a inclusão dos sorotipos 19A e 3, apontados como alguns dos principais responsáveis por casos de doença pneumocócica invasiva no território nacional. O imunizante também contempla outros oito sorotipos relacionados ao aumento da resistência bacteriana aos antibióticos e à ocorrência de infecções invasivas, incluindo meningites.

Segundo informações da Pfizer Brasil, a cobertura contra os sorotipos mais frequentemente associados às formas graves da doença em crianças menores de cinco anos pode passar de 3% para 77% com a adoção da nova vacina. A expectativa é que aproximadamente 2,4 milhões de bebês sejam imunizados anualmente por meio do calendário infantil do SUS.

As primeiras remessas do novo imunizante começaram a ser entregues ao Ministério da Saúde em abril. A aplicação será incorporada à rotina vacinal infantil nos primeiros meses de vida, período considerado de maior vulnerabilidade para o desenvolvimento de complicações decorrentes das infecções pneumocócicas.

Ampliação para grupos de risco

Além das crianças, a vacina também passa a integrar a Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE), ampliando o acesso para pacientes considerados mais vulneráveis às formas graves da doença.

A atualização expande o número de condições clínicas contempladas. Antes concentrada principalmente em pacientes oncológicos, transplantados e pessoas vivendo com HIV, a vacinação passa a abranger também indivíduos com doenças cardiovasculares, pulmonares, renais e hepáticas, além de pacientes com diabetes e casos de asma grave.

O atendimento será realizado por meio dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), responsáveis pela oferta de vacinas destinadas a públicos específicos que necessitam de proteção diferenciada.

Para crianças acima de cinco anos e adultos pertencentes aos grupos elegíveis, a imunização ocorrerá, em regra, com dose única, exceto em situações específicas previstas pelos protocolos clínicos.

“A ampliação da vacinação pneumocócica no SUS representa um avanço relevante na proteção de populações mais vulneráveis. Estamos falando de reduzir o risco de doenças graves, hospitalizações prolongadas e óbitos, tanto na infância quanto em pessoas com comorbidades”, afirma Adriana Ribeiro, líder médica da Pfizer no Brasil.

Doenças podem ser graves

O pneumococo é uma bactéria que pode permanecer na nasofaringe sem provocar sintomas, facilitando sua transmissão, especialmente entre crianças.

Embora a infecção possa ocorrer em qualquer faixa etária, os casos mais graves costumam atingir principalmente crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Nos últimos anos, especialistas observaram aumento nos registros de meningite pneumocócica no Brasil, o que reforçou a necessidade de atualização das estratégias de prevenção.

Além dos impactos clínicos, estudos apontam que as infecções pneumocócicas continuam gerando elevado número de internações e custos para os sistemas de saúde, mesmo em cenários com vacinação já estabelecida.

 

Com a adoção da vacina 20-valente, a expectativa das autoridades sanitárias é ampliar a proteção da população, reduzir a circulação da bactéria, diminuir hospitalizações e fortalecer a prevenção de doenças potencialmente graves, especialmente entre crianças e pacientes mais vulneráveis.

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