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Rio Grande do Norte segue orientação e suspende vacina contra dengue

09/06/2026


Medida segue decisão do Ministério da Saúde após investigação de 42 casos graves e dois óbitos; Estado não registrou reações ao imunizante contra a dengue

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) suspendeu temporariamente a vacinação com o imunizante Butantan-DV contra a dengue no Rio Grande do Norte, seguindo orientação do Ministério da Saúde. A medida ocorre enquanto são investigados 42 casos graves e dois óbitos registrados no país após a aplicação da vacina. Até o momento, não há comprovação de relação causal entre os casos e o imunizante.

Segundo a Sesap, não houve registro de reações adversas à Butantan-DV no Estado. Desde o início da campanha, em janeiro deste ano, foram aplicadas 5.200 doses das 18.520 recebidas, destinadas a trabalhadores da Atenção Básica.

De acordo com a coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, Diana Rego, a suspensão faz parte dos protocolos de farmacovigilância adotados para monitorar novas tecnologias em saúde. Todas as reações adversas, sejam leves ou graves, devem ser notificadas para investigação e garantia da segurança da população vacinada.

O Ministério da Saúde informou que os casos graves em análise representam 0,008% das cerca de 500 mil doses aplicadas no país até 30 de maio. Entre os sintomas investigados estão manifestações semelhantes às da dengue e, em situações mais severas, episódios hemorrágicos.

A Sesap reforça que a campanha de vacinação com a QDENGA segue normalmente para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Em relação a esse imunizante, foram registradas 108 notificações de eventos adversos, sendo apenas duas classificadas como graves, relacionadas a quadros de reação alérgica.

Tecnologia tradicional

A tecnologia utilizada na vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan já faz parte da rotina dos programas de imunização brasileiros há décadas. Baseado na técnica de vírus atenuado — também conhecida como vírus enfraquecido — o método é empregado em outros imunizantes amplamente utilizados no país, como as vacinas contra febre amarela, rotavírus e a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

O funcionamento desse tipo de vacina consiste em apresentar ao organismo uma versão modificada do agente infeccioso. Embora mantenha características suficientes para estimular uma resposta imunológica, o vírus passa por alterações que impedem sua capacidade de provocar a doença de forma normal.

A presença desse agente enfraquecido permite que o sistema imunológico reconheça o invasor e desenvolva mecanismos de defesa capazes de responder de maneira mais rápida e eficiente em um eventual contato futuro com o vírus em circulação.

A discussão sobre o funcionamento da tecnologia ganhou destaque após a suspensão temporária da aplicação da vacina da dengue do Butantan no Brasil. A medida foi adotada pelas autoridades sanitárias diante da necessidade de aprofundar a investigação sobre eventos adversos considerados raros e que não haviam sido observados durante os estudos clínicos que embasaram a aprovação do imunizante.

Segundo a Sesap, não houve notificações de reações adversas relacionadas à vacina Butantan-DV no RN - Foto: José Aldenir / Agora RN

Nas vacinas produzidas com vírus atenuado, o agente infeccioso é submetido a processos que reduzem sua capacidade de causar doença. Dessa forma, o organismo consegue identificar o vírus, produzir anticorpos e criar memória imunológica sem desenvolver, em condições normais, a infecção para a qual está sendo imunizado.

Especialistas apontam que esse tipo de plataforma costuma proporcionar proteção robusta e duradoura, justamente por estimular uma resposta imunológica semelhante àquela provocada pela infecção natural, porém de forma controlada.

Por essa razão, a tecnologia é considerada uma das mais consolidadas dentro da imunização moderna e está presente em diversos programas de vacinação ao redor do mundo. Embora sejam consideradas seguras para a maioria da população, as vacinas de vírus atenuado podem não ser indicadas para determinados grupos específicos.

Entre eles estão pessoas com imunossupressão decorrente de tratamentos médicos ou de determinadas condições clínicas, além de gestantes, que necessitam de avaliação individualizada antes da aplicação.

 

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) orienta que mulheres grávidas procurem seus médicos obstetras para receber orientações adequadas sobre a indicação ou não desse tipo de vacina, considerando as particularidades de cada caso.

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