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UFRN explica risco da bactéria da Ypê

21/05/2026


Pesquisadores da UFRN alertam para resistência da bactéria encontrada em produtos da Ypê após suspensão determinada pela Anvisa - Foto: Divulgação / UFRN

Especialista da UFRN afirma que bactéria consegue sobreviver em produtos de limpeza e pode causar infecções até em pessoas saudáveis

A presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da marca Ypê, identificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), acendeu alerta entre especialistas devido à capacidade do microrganismo de resistir a antibióticos, antissépticos e até produtos desinfetantes. A bactéria, que motivou a suspensão da fabricação, comercialização e distribuição de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes de lotes com numeração final 1, é alvo de pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A suspensão foi determinada pela Anvisa no último dia 7 de maio após a identificação de falhas nas boas práticas de fabricação da Química Amparo, fabricante da Ypê, em unidade localizada em Amparo, no interior de São Paulo.

Segundo o professor Rafael Wesley Bastos, integrante do Programa de Pós-Graduação em Biologia Parasitária da UFRN e vice-coordenador do Grupo de Estudo e Ações em Saúde Única (Geasu-RN), a principal preocupação envolvendo a Pseudomonas aeruginosa está ligada à resistência desenvolvida pelo microrganismo.

“A Pseudomonas é resistente a desinfetantes e, justamente por isso, a gente se preocupa dela estar presente nesses produtos, porque ela sobrevive — coisas que outras bactérias normalmente não conseguem”, afirma.

A bactéria é encontrada naturalmente em ambientes úmidos e aquáticos, como torneiras, reservatórios de água, piscinas e sistemas de abastecimento. Apesar de comum no ambiente, especialistas apontam que ela possui mecanismos que dificultam sua eliminação e favorecem sua permanência em ambientes industriais.

Na UFRN, o microrganismo vem sendo estudado em pesquisas relacionadas à resistência microbiana e à interação entre diferentes patógenos. Estudos recentes coordenados por Rafael Bastos e publicados na revista científica Frontiers in Fungal Biology mostraram que a bactéria também pode inibir o crescimento do Candida auris, fungo multirresistente incluído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na lista de patógenos prioritários.

Segundo o pesquisador, esse comportamento evidencia a complexidade biológica da bactéria, que ao mesmo tempo pode causar infecções graves e atuar contra outros microrganismos.

O docente ressalta que a Pseudomonas aeruginosa não é a única bactéria capaz de sobreviver em produtos de limpeza, mas está entre as espécies mais monitoradas justamente pela resistência elevada.

Infecções

Embora pacientes imunossuprimidos estejam entre os grupos mais vulneráveis, o professor alerta que pessoas saudáveis também podem desenvolver infecções causadas pela bactéria. “Ela pode causar infecções em pessoas sem debilidade no sistema imunológico”, alerta.

Pacientes com câncer, HIV/Aids sem controle adequado ou em uso prolongado de corticoides apresentam maior risco de complicações.

As formas de infecção variam. A bactéria pode penetrar no organismo por cortes, ferimentos ou pequenas fissuras na pele. Segundo Rafael Bastos, até o contato com água quente contaminada pode facilitar a entrada do microrganismo.

Nesses casos, a bactéria pode provocar foliculite, inflamação nos folículos capilares. O contato com os olhos, principalmente em usuários de lentes de contato, também pode causar infecções oculares. Já a exposição nos ouvidos pode provocar otite.

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