Cidade

A Votação das Contas da Ex-prefeita Gorete Leite: Um Tapa na Cara da Sociedade

16/10/2025


A recente votação das contas da ex-prefeita de João Câmara, Gorete Leite, pelos vereadores da cidade, que desconsideraram as conclusões do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN), não é apenas um fato político. É, acima de tudo, um escárnio à sociedade e uma afronta à lógica da administração pública, onde técnicos altamente qualificados e com a missão de garantir a transparência e o correto uso do dinheiro público são ignorados em favor de interesses políticos.

Quando falamos sobre o TCE-RN, estamos falando de um órgão composto por profissionais capacitados, que possuem anos de experiência na fiscalização de contas públicas. Estes técnicos são treinados para identificar falhas na gestão pública, cuidar do zelo pelo patrimônio público e garantir que os gestores sigam as leis e as normas que regem o país. No entanto, em uma virada surpreendente e extremamente questionável, nove vereadores, em um ato de apoio incondicional à ex-prefeita Gorete Leite, decidiram votar contra os apontamentos feitos pelos especialistas do Tribunal.

Qual é o recado que essa ação nos passa? De que forma podemos confiar em um sistema político e jurídico que tem suas recomendações desconsideradas por conveniência? Estamos dizendo, com essa atitude, que o conhecimento técnico e o zelo pelo interesse público não têm valor? Que um tribunal repleto de profissionais qualificados está errado, e que nove vereadores, em sua grande maioria aliados do governo municipal, estão certos? Isso é, no mínimo, revoltante!

É um tapa na cara da sociedade, que se esforça para entender como os recursos públicos estão sendo aplicados e se o dinheiro dos impostos está sendo bem investido. A população precisa confiar nos órgãos responsáveis pela fiscalização. Mas, quando vemos decisões como essa, fica difícil acreditar que o processo democrático esteja sendo respeitado. A argumentação apresentada pelos vereadores, de que o TCE-RN estaria sendo parcial e injusto, não se sustenta quando vemos o histórico do órgão, que tem, ao longo dos anos, demonstrado competência e imparcialidade em suas análises.

O que se deveria discutir aqui é a qualidade da gestão pública, não um jogo de empurra-empurra político. A sociedade exige transparência e a correta aplicação dos recursos que são tirados do bolso de cada cidadão. E, ao invés de ouvir especialistas e técnicos que apontaram falhas na gestão de Gorete Leite, a resposta foi um voto de conivência, que só fortalece o que muitos já temiam: o uso da política para interesses pessoais.

Os nove vereadores, ao desconsiderarem as recomendações do TCE-RN, não só desrespeitaram a instituição, mas também ignoraram o direito da população de ter suas questões fiscais tratadas com seriedade. A sociedade precisa de representantes comprometidos com a verdade, com o bem público e, principalmente, com a ética. Quando vereadores optam por votar de forma a proteger interesses políticos, sem embasamento técnico, é a democracia que sai prejudicada.

Por fim, fica a reflexão: em um momento como esse, quando a transparência e o zelo pelo patrimônio público são deixados de lado, o que mais será feito em nome de conveniências políticas? E, mais importante, até quando a sociedade permitirá que os verdadeiros interesses da população sejam jogados para escanteio, enquanto a política se sobrepõe à técnica e à legalidade?

 

Coluna Assinada pelo Blogueiro Netinho Faustino 

Essa publicação é um oferecimento

PERFECTTY - DR. ERLON FRANCO