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Hospital Varela Santiago enfrenta maior problema em 25 anos, afirma diretor

08/09/2025


Foto: José Aldenir / Agora RN

Unidade acumula 80 cirurgias pendentes e só realiza procedimentos de urgência; pediatria geral segue paralisada

O Hospital Infantil Varela Santiago, em Natal, atravessa o maior problema administrativo dos últimos 25 anos, segundo o diretor da unidade, Dr. Paulo Xavier. A dificuldade está na realização de cirurgias após a paralisação dos médicos ligados à Cooperativa de Médicos do Rio Grande do Norte.

“Eu sempre digo: eu tenho 25 anos no Varela Santiago, e o maior problema que nós enfrentamos até hoje foi esse aí”, afirmou o diretor, em entrevista nesta segunda-feira 8.

Desde o início da paralisação, em 1º de setembro, 80 cirurgias deixaram de ser feitas. A instituição iniciou mutirões em ortopedia e otorrinolaringologia, mas os procedimentos de pediatria geral continuam suspensos. Apenas cirurgias de urgência estão sendo realizadas.

“Fizemos o possível para recuperar essas cirurgias, menos as cirurgias de pediatria geral, porque a Cooperativa dos Servidores Pediátricos não chegaram a um acordo ainda [com a SMS/Natal]. Então só as de urgência estão sendo realizadas”, disse Xavier.

Segundo o diretor, mais da metade do faturamento do hospital depende das cirurgias. “Nós esperamos que esse problema seja resolvido e que as partes se entendam, para aqueles que estejam lá na ponta não sejam tão prejudicados. O Varela paga um tributo alto por só atender o SUS, então o nosso faturamento vai cair e isso nos preocupa também. Mais da metade do faturamento do hospital decorre dessas cirurgias”, afirmou.

Uma das alternativas estudadas pela direção é receber repasses diretamente da Prefeitura de Natal para negociar os contratos médicos sem intermediação. “Uma das medidas estudadas seria que a prefeitura repassasse o valor para a unidade. Com isso, o próprio hospital trataria com os profissionais de diferentes especialidades, diminuindo a burocracia para retomar a realização dos procedimentos”, explicou Xavier.

Crise na saúde

O impasse começou após a Prefeitura de Natal encerrar o contrato com a Coopmed/RN e transferir a gestão das escalas médicas para as empresas Justiz Terceirização e Proseg Consultoria, contratadas de forma emergencial por valores que somam R$ 208 milhões anuais.

A mudança gerou protestos de médicos e do Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed), que acusam o município de descumprir decisões judiciais e de criar insegurança jurídica para os profissionais. Desde a transição, a rede registrou escalas incompletas em UPAs, paralisação de ambulatórios, suspensão de cirurgias eletivas e três mortes no Hospital dos Pescadores em apenas dois dias, episódio que agravou a pressão sobre a gestão municipal.

A Prefeitura sustenta que o processo foi legal, com ampla concorrência, e que a mudança era necessária para corrigir a fragilidade contratual da Coopmed, que atuava sem vínculo formal desde 2023.

 

A Secretaria Municipal de Saúde afirma que a normalização deve ocorrer gradualmente ao longo desta semana.

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